Japão corrige rota histórica e adota romanização Hepburn após 71 anos
Decisão do Gabinete põe fim a uma discrepância de décadas entre a recomendação oficial e o uso real no país e no exterior
Em uma mudança que reflete o alinhamento com a prática internacional, o Gabinete do Japão decidiu oficializar o sistema de romanização Hepburn como sua forma preferencial para transliterar a língua japonesa para o alfabeto latino. A decisão, tomada em reunião no dia 16 de dezembro e que será formalmente anunciada no dia 22, encerra um período de 71 anos em que o governo recomendava o uso do sistema Kunrei, considerado pouco intuitivo para estrangeiros. Com a mudança, grafias como “sushi”, “futon” e “Shinjuku” passam a ser as oficialmente endossadas, em detrimento das formas “susi”, “huton” e “Sinzyuku” do sistema anterior.
A romanização, processo de escrever uma língua que não usa o alfabeto latino com letras romanas, sempre teve no Japão dois sistemas principais. O Kunrei-shiki, estabelecido por uma portaria do Gabinete em 1954, segue uma lógica interna da língua japonesa, priorizando a consistência entre as linhas de sons. No entanto, ele falha em representar com precisão a pronúncia para falantes de outras línguas. Já o Hepburn-shiki, desenvolvido pelo missionário e linguista americano James Curtis Hepburn no século XIX, prioriza aproximar a soletração à fonética inglesa, sendo muito mais intuitivo para estrangeiros.
Apesar da recomendação oficial do Kunrei por mais de sete décadas, o sistema Hepburn já era amplamente adotado de fato. A grande maioria das instituições japonesas com projeção internacional, documentos oficiais em inglês, placas de sinalização para turistas e estudiosos de linguística sempre utilizaram o padrão Hepburn. Esta divergência entre a regra e a prática gerava situações incongruentes, como a grafia “Hukusima” em documentos oficiais, enquanto o mundo e a imprensa internacional se referiam ao local como “Fukushima”.
A mudança, portanto, é vista mais como um reconhecimento formal da realidade do que uma imposição nova. As recomendações do Gabinete para romanização não são legalmente vinculantes. O governo deixou claro que respeitará grafias já consagradas pelo uso, como “Tokyo” em vez de “Tōkyō”, “ramen” em vez de “rāmen”, e “Tohoku” em vez de “Touhoku”. Da mesma forma, nomes de pessoas e organizações não serão alterados, mantendo-se, por exemplo, “Shohei Ohtani” e não “Shohei Ootani”. O objetivo principal é reduzir confusões e facilitar a pronúncia por parte de estrangeiros, cumprindo finalmente o propósito original da romanização.
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