Japão oficializa sistema Hepburn para romanização após 71 anos
Mudança histórica no governo substitui método Kunrei, que gerava grafias como ‘susi’ e ‘Sinzyuku’
As engrenagens do governo japonês podem girar lentamente, e a decisão sobre qual sistema de romanização adotar oficialmente é um exemplo marcante. Passadas mais de sete décadas desde a recomendação do sistema Kunrei, em 1954, o Gabinete do Japão decidiu, em reunião realizada nesta terça-feira, anunciar oficialmente na próxima quarta-feira (22) a preferência pelo sistema Hepburn de romanização.
O sistema Kunrei, defendido pelo governo no pós-guerra, resulta em grafias que pouco refletem a pronúncia real para ouvidos estrangeiros, como ‘susi’ para sushi, ‘huton’ para futon e ‘Sinzyuku’ para Shinjuku. Enquanto isso, o sistema Hepburn, desenvolvido pelo missionário e linguista americano James Curtis Hepburn no século XIX, já é há décadas o padrão de facto para a maioria dos linguistas e organizações internacionais com foco no Japão.
Apesar da decisão, as recomendações do Gabinete não são legalmente vinculantes. A maioria dos documentos oficiais em inglês e da sinalização já utiliza o método Hepburn há anos. A mudança serve, portanto, mais como um endosso formal e um incentivo para que eventuais resistentes – como gestores de empresas tradicionais ou funcionários públicos – atualizem sua prática.
Outra diferença técnica entre os sistemas está na indicação de vogais longas: o Kunrei emprega o acento circunflexo (ô), enquanto o Hepburn usa o macron (ō). Na prática, contudo, ambas as marcas são frequentemente omitidas, resultando em grafias consagradas como ‘Tóquio’ e ‘ramen’. O governo afirma que não pretende nadar contra a corrente de convenções já estabelecidas, respeitando, por exemplo, a grafia ‘Tohoku’ para a região nordeste, em vez de ‘Tōhoku’ ou ‘Touhoku’, e nomes próprios como ‘Shohei Ohtani’.
O objetivo central da romanização – tornar as palavras japonesas mais compreensíveis e pronunciáveis para estrangeiros – é, finalmente, reforçado pela decisão do Gabinete, mesmo que tardia. Ninguém será penalizado por não seguir a nova recomendação, mas ela sinaliza um alinhamento com as práticas linguísticas globais.
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