Gerentes de bar na Suíça são investigados por incêndio que matou 40 no Réveillon
Principal hipótese é que velas de faísca em garrafas de champanhe tenham tocado o teto, causando fogo que se alastrou rapidamente pela casa lotada
As autoridades suíças abriram uma investigação criminal contra os gerentes do bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana, onde um incêndio na madrugada de Ano Novo deixou pelo menos 40 mortos e 119 feridos. O casal francês Jacques e Jessica Moretti, proprietários e gestores do estabelecimento, é suspeito de homicídio culposo, lesões corporais culposas e de ter causado um incêndio por negligência.
A procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, afirmou que a principal linha de investigação aponta que o fogo começou quando “velas de faísca” (também conhecidas como velas vulcão), colocadas em garrafas de champanhe, foram levantadas e entraram em contato com o teto do bar. Testemunhas relataram ter visto uma garçonete com as garrafas decoradas muito próximas ao forro. O incêndio se iniciou por volta da 1h30 da manhã, no porão do local, que estava extremamente lotado de jovens festejando a virada do ano.
Diante do alto número de vítimas com queimaduras graves, a Suíça, que possui apenas entre 15 e 20 leitos especializados para grandes queimados em todo o país, acionou o mecanismo de proteção civil da União Europeia. Com isso, pacientes em estado crítico estão sendo transferidos por aviões e helicópteros médicos para hospitais na França, Itália, Bélgica e Alemanha. A Polônia também se ofereceu para receber e tratar 14 feridos.
O processo de identificação das vítimas é lento e doloroso para as famílias. A gravidade das queimaduras em muitos corpos torna o reconhecimento visual impossível, exigindo a comparação de DNA e registros odontológicos. Até o momento, apenas quatro vítimas — dois adolescentes de 16 anos, um jovem de 18 e uma mulher de 21, todos suíços — foram formalmente identificadas e seus corpos entregues às famílias. Entre os desaparecidos estão jovens da Itália, França e Suíça, deixando parentes em uma angustiante espera por notícias.
Especialistas em investigação de incêndios ouvidos pela imprensa internacional sugerem que a rápida propagação das chamas pode ter sido agravada por um material de espuma acústica (semelhante a uma “caixa de ovos”) aplicado no teto para isolamento sonoro. As investigações vão apurar se esse material era inflamável ou se estava em conformidade com as normas de segurança. As saídas de emergência, os extintores de incêndio e a lotação do bar naquela noite também são pontos centrais do inquérito.
Em declarações à mídia local, um dos proprietários defendeu o estabelecimento, afirmando que o bar foi inspecionado “três vezes em dez anos” e que “tudo foi feito de acordo com os padrões”. No entanto, o chefe de segurança da região de Valais, Stéphane Ganzer, declarou que “um acidente tão grande com um incêndio na Suíça significa que algo não funcionou — talvez o material, talvez a organização no local”.
A tragédia abalou profundamente a comunidade de Crans-Montana, um resort internacional conhecido pelo luxo, mas com uma população fixa unida. Um memorial improvisado com flores, velas e mensagens emocionadas cresce diante do bar. Moradores locais têm doado sangue em massa e oferecido suas casas para abrigar familiares das vítimas. O ministro da Justiça suíço, Beat Jans, reconheceu que o mundo precisa de uma resposta sobre como essa tragédia pôde acontecer.
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