Inflação em Tóquio Desacelera para 2% em Janeiro, Menor Nível em 15 Meses
Dados do governo japonês revelam que a pressão de preços na capital diminuiu, com destaque para a desaceleração nos alimentos e queda na energia
A inflação na região central de Tóquio desacelerou para 2% em janeiro em comparação com o mesmo mês do ano anterior, abaixo dos 2,3% registrados em dezembro e atingindo seu nível mais baixo desde outubro de 2024. A informação foi divulgada pelo Ministério de Assuntos Internos do Japão nesta sexta-feira, apontando que a menor alta nos preços dos alimentos excluindo perecíveis foi um dos principais fatores para a desaceleração.
O índice de preços ao consumidor (IPC) principal, que exclui os preços voláteis dos alimentos frescos, chegou a 110,9 em janeiro, considerando a base de referência de 2020 como 100. Este resultado marca o 53º mês consecutivo de alta nesse indicador.
Os preços dos alimentos, excluindo os frescos, subiram 5,6% no período, um ritmo mais lento que o aumento de 6,2% observado no mês anterior. Esta é a quinta queda consecutiva na taxa de crescimento desses preços. O arroz, item básico da dieta japonesa, registrou uma alta significativa de 26%, embora também represente uma desaceleração pela nona vez seguida, após fortes aumentos que começaram em meados de 2024.
No setor de energia, os preços caíram 4,2% em janeiro. A gasolina apresentou uma queda acentuada de 14,8%, reflexo direto da eliminação, em dezembro, da sobretaxa provisória sobre o combustível. As contas de eletricidade e gás urbano também recuaram, registrando quedas de 2% e 4,5%, respectivamente.
O IPC geral, que inclui os alimentos frescos, apresentou uma alta menor, de 1,5% no ano até janeiro. Já o índice que exclui tanto os alimentos frescos quanto os custos de energia – um indicador considerado pelo Banco do Japão como a melhor medida da inflação subjacente – aumentou 2,4%, permanecendo acima da meta de 2% estabelecida pela autoridade monetária.
O contexto macroeconômico mostra um Banco do Japão cauteloso. Em dezembro, a instituição elevou sua taxa de juros básica para 0,75%, o patamar mais alto em três décadas, mantendo-a inalterada em sua última reunião. Analistas apontam que a desaceleração atual da inflação, impulsionada em parte por fatores temporários como subsídios, pode reduzir a urgência por novos aumentos de juros no curto prazo. No entanto, o banco central projeta que a inflação deve reacelerar ao longo de 2026, sustentada por ganhos salariais e possíveis pressões de custos vindas da desvalorização do iene.
Nos mercados financeiros, o iene mostrou certa fortaleza após a divulgação dos dados, com o par USD/JPY recuando para próximo de 153,12. A inflação de Tóquio serve como um indicador antecedente para os números nacionais, e sua trajetória continuará a ser monitorada de perto por investidores e formuladores de política econômica.
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