Regulador nuclear japonês inicia inspeção por fraude de dados em usina de Hamaoka
Investigacao na sede da Chubu Electric pode durar meses e resultar em punicoes severas
A Autoridade de Regulação Nuclear (NRA) do Japão iniciou nesta segunda-feira uma inspeção presencial na sede da Chubu Electric Power, em Nagoya. A ação investiga uma fraude relacionada a dados de risco sísmico usados nos processos de segurança da usina nuclear de Hamaoka, localizada na província de Shizuoka. A investigação, que deve se estender por vários meses, tem como objetivo descobrir as circunstâncias e motivos por trás da conduta irregular.
Durante a vistoria, técnicos do órgão regulador vão revisar documentos e registros relacionados à compilação dos dados fraudulentos utilizados nas avaliações dos reatores. A NRA também realizará entrevistas com funcionários envolvidos nas irregularidades. A inspeção foi autorizada após a Chubu Electric admitir, no início de janeiro, que pode ter selecionado de forma inadequada – um método conhecido como “cherry-picking” – dados de ondas sísmicas para subestimar os movimentos do solo que a usina de Hamaoka poderia experimentar.
Com base nas conclusões da inspeção, a NRA considerará medidas disciplinares contra a empresa. Em reunião realizada em 14 de janeiro, o órgão já discutiu possíveis punições, que incluem a reprovação da reinicialização de um reator na usina de Hamaoka e até mesmo a revogação da licença de instalação da planta. O presidente da NRA, Shinsuke Yamanaka, classificou o caso como grave, exigindo o estudo de uma punição severa.
A fraude veio à tona a partir de uma denúncia externa recebida pela autoridade regulatória em fevereiro do ano passado. A Chubu Electric conduziu uma investigação interna e admitiu a má conduta em dezembro, anunciando-a publicamente em 5 de janeiro. Como consequência imediata, a NRA já anulou todo o processo de revisão de segurança de 12 anos para os reatores 3 e 4 de Hamaoka, determinando que o processo precise ser refeito desde o início.
Em resposta ao escândalo, executivos da Chubu Electric têm feito uma série de apologias públicas. O presidente da empresa, Kingo Hayashi, chegou a pedir desculpas pessoalmente ao prefeito de Omaezaki, cidade que abriga a usina de Hamaoka. A crise também levou Hayashi a renunciar ao cargo de presidente da Federação das Empresas de Eletricidade do Japão, para se concentrar na resolução do problema.
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