Policial de elite é demitido por vazar informações a grupo de exploração sexual
Inspetor de Tóquio acusado de ser ‘toupeira’ de rede criminosa que alicia mulheres para bares de sexo
A Polícia Metropolitana de Tóquio demitiu, nesta terça-feira (23), um inspetor de 43 anos que foi preso sob a acusação de vazar informações sigilosas de investigações para um grupo criminoso envolvido no aliciamento ilegal de mulheres para bares de sexo e clubes de hostesses em todo o Japão. O caso, descrito por autoridades como um “ato imperdoável” e uma “verdadeira traição”, expôs uma grave falha de segurança dentro da força policial.
O inspetor assistente Daisuke Jimbo, que atuava na divisão de combate ao crime organizado, é acusado de fornecer ao grupo conhecido como “Natural” imagens de câmeras de vigilância instaladas pela polícia e uma lista de 23 locais que seriam alvo de operações. As informações teriam sido repassadas entre abril e maio, através de um aplicativo de comunicação altamente confidencial desenvolvido pelo próprio grupo criminoso, que Jimbo instalou em seu smartphone.
O grupo “Natural”, classificado como uma organização “tokuryu” (grupo criminoso anônimo e de estrutura fluida), opera principalmente no distrito de luz vermelha de Kabukicho, em Tóquio. A rede é suspeita de recrutar mulheres em locais públicos para depois encaminhá-las ilegalmente a estabelecimentos do setor de entretenimento adulto em todo o país, movimentando bilhões de ienes.
A descoberta dos vazamentos começou a tomar forma em agosto, quando investigações internas identificaram comportamentos suspeitos. Uma busca na casa de Jimbo encontrou aproximadamente 9 milhões de ienes em dinheiro vivo, levantando a suspeita de que ele teria recebido pagamento pelas informações vazadas. A polícia suspeitava da existência de uma “toupeira” desde janeiro, quando um alvo importante do grupo “Natural” desapareceu dias antes de uma operação de prisão, frustrando os planos dos investigadores.
Em comunicado oficial, o conselheiro administrativo da Polícia Metropolitana, Junichiro Suga, pediu sinceras desculpas à população e às vítimas envolvidas, classificando o ato como inaceitável. O comissário-geral da Agência Nacional de Polícia também se pronunciou, afirmando que o caso “abala gravemente a confiança pública” e prometeu implementar medidas para evitar a repetição de tais incidentes. A polícia de Tóquio também aplicou punições disciplinares a mais de dez pessoas, incluindo um superior de Jimbo, por falhas de supervisão.
A corporação anunciou que pretende revisar seus procedimentos, realizando verificações de segurança em investigadores designados para funções de alto risco, como coleta de informações, mesmo após sua nomeação. Jimbo, que ingressou na polícia em 2004 e tinha cerca de 14 anos de experiência em investigações de crime organizado, foi indiciado pelos promotores de Tóquio na terça-feira por violação da lei de serviço público local.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






