Investidor acusa famílias controladoras de duas empresas de prejudicar minoritários.

Ativistas acionistas intensificam pressão sobre famílias fundadoras no Japão

Número de campanhas ativistas no país atingiu recorde em 2025, colocando o mercado atrás apenas dos EUA

Um investidor ativista com sede em Londres direcionou suas críticas a duas empresas japonesas controladas por suas famílias fundadoras, acusando-as de serem responsáveis por níveis “extremamente deprimidos” no preço de suas ações. Em cartas enviadas às companhias, o gestor afirmou que as ações da Tsutsumi Jewelry e da provedora de serviços de recursos humanos Pasona Group estão sendo deixadas em estado de estagnação, em prejuízo dos investidores minoritários.

O caso ocorre em um momento de crescente ativismo no mercado japonês. Dados compilados por instituições financeiras mostram que o Japão registrou 56 campanhas de acionistas ativistas em 2025, um número recorde que coloca o país como o segundo maior cenário para essa prática no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse movimento tem sido impulsionado por uma combinação de reformas regulatórias e um ambiente de mercado que, apesar da alta generalizada dos índices, deixou para trás empresas consideradas subvalorizadas.

As pressões por uma governança corporativa mais eficiente não são novas, mas ganharam um impulso significativo nos últimos anos. A Bolsa de Valores de Tóquio (TSE) vem pressionando publicamente as empresas listadas a melhorar sua eficiência de capital e a se preocuparem mais com a valorização de suas ações. Este esforço regulatório está prestes a entrar em uma nova fase, com a revisão do Código de Governança Corporativa do Japão prevista para meados de 2026, que deve trazer regras mais assertivas sobre como as empresas utilizam seus grandes volumes de caixa.

O foco dos ativistas tem sido diverso, incluindo desde demandas por mudanças na composição dos conselhos administrativos até propostas relacionadas a fusões, aquisições e recompra de ações. Setores tradicionais, como o financeiro e o de utilities, têm sido alvo, em um movimento que analistas caracterizam mais como um “rally de valor” do que uma aposta especulativa em tecnologia. Grandes nomes do mercado, como a Toyota Motors, também tomaram medidas significativas, como a redução de participações cruzadas de capital, em resposta a essas pressões por maior transparência e eficiência.

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