Investidores questionam se alta da IA é bolha prestes a estourar

Boom da IA gera temor de bolha financeira e afeta mercados asiáticos

Queda nas ações de tecnologia no Japão reflete preocupações globais com superaquecimento do setor

Enquanto o comércio de ações de inteligência artificial continua a impulsionar o mercado de ações a novos patamares, um questionamento crescente toma conta dos investidores: estaríamos vivendo outra bolha financeira destinada a estourar? A resposta, segundo análises históricas, não é simples. Os reflexos dessa inquietação já são sentidos na Ásia, com o mercado japonês de tecnologia apresentando forte volatilidade.

O anúncio de uma joint venture entre a SoftBank e a OpenAI para criar serviços de IA no Japão ocorreu em um momento de tensão nos mercados. As ações de tecnologia japonesas despencaram, lideradas pelo SoftBank Group, que chegou a cair até 7,25% no índice Nikkei 225. A queda segue um movimento global, após recuos no Nasdaq Composite pressionados por perdas em gigantes como Oracle, Broadcom e Nvidia.

As preocupações centram-se nos enormes gastos de capital anunciados pelas grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de IA. Projeções indicam que os investimentos de empresas como Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta devem subir 34%, atingindo cerca de US$ 440 bilhões no próximo ano. Essa corrida por investimentos bilionários gera dúvidas sobre sustentabilidade e retorno.

O movimento no Japão acontece enquanto o país tenta recuperar sua influência como líder global em tecnologia, após um período que o próprio Ministério da Economia do país chama de “três décadas perdidas”. Com uma política industrial agressiva, Tóquio tem como prioridade recuperar participação na indústria global de semicondutores, tendo reservado bilhões de dólares para o setor. Nesse contexto, parcerias internacionais, como a da startup japonesa Rapidus com a IBM para produção de chips de última geração, são vistas como estratégicas.

Especialistas do mercado financeiro apontam que as ações japonesas de tecnologia são particularmente sensíveis aos ventos que sopram de Wall Street. Jesper Koll, da Monex Group, observa que grande parte do hardware essencial para data centers e inteligência artificial é “fabricado no Japão e só pode ser fabricado no Japão”, tornando as empresas locais mais expostas a mudanças no humor dos investidores globais. Paralelamente, o país avança em outros fronts de inovação, como o desenvolvimento do supercomputador Fugaku Next, que promete ser mil vezes mais rápido que os atuais, e a conquista de recordes mundiais de velocidade de transmissão de dados.

A combinação entre ambiciosos planos de investimento, valorizações expressivas de mercado e a histórica tendência de ciclos de boom e busto na tecnologia mantém os investidores em alerta. O cenário atual da IA apresenta fundamentos de transformação real, mas também contém ingredientes que, no passado, antecederam correções severas.

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