Irmãos Xiao Xiao e Lei Lei partem em janeiro; país ficará sem pandas desde 1972

Últimos pandas do Japão se despedem de Ueno, encerrando ciclo de 54 anos

Irmãos Xiao Xiao e Lei Lei retornam à China em janeiro; país enfrenta primeiro período sem os animais desde a normalização das relações diplomáticas

O Zoológico de Ueno, em Tóquio, se prepara para uma despedida histórica. Os pandas gêmeos Xiao Xiao e Lei Lei, os últimos representantes de sua espécie no Japão, terão sua última exibição pública em 25 de janeiro de 2026 antes de retornarem à China no final do mesmo mês[citation:1][citation:10]. Sua partida marcará o fim de uma presença ininterrupta de pandas no país que dura desde 1972, quando o primeiro casal, Kang Kang e Lan Lan, chegou como símbolo da normalização das relações entre Japão e China[citation:1][citation:10].

Nascidos em Ueno em 2021, Xiao Xiao (macho) e Lei Lei (fêmea) são filhos do casal Ri Ri e Shin Shin, que foram devolvidos à China em 2024[citation:1][citation:10]. Assim como sua irmã mais velha, Xiang Xiang (devolvida em 2023), os gêmeos nasceram sob um acordo de empréstimo para pesquisa e reprodução, o que significa que a propriedade dos animais é da China[citation:1][citation:10]. O retorno estava originalmente previsto para o final de fevereiro, mas foi antecipado para janeiro após discussões entre as autoridades de Tóquio e a China[citation:1][citation:7].

Para organizar os últimos encontros com os ursos, o Zoológico de Ueno implementou um rigoroso sistema de visitação. Após um período sem necessidade de reserva, a partir de 23 de dezembro de 2025 passou a ser obrigatório agendar a visita online[citation:4][citation:5]. De 14 a 25 de janeiro de 2026, o acesso será concedido exclusivamente por meio de um sorteio eletrônico[citation:4]. A visita ao recinto dos pandas está limitada a aproximadamente um minuto por pessoa, e a partir de 27 de dezembro os animais serão exibidos apenas em ambientes internos[citation:4][citation:9].

A expectativa para a despedida é grande. No último dia sem necessidade de reserva, 21 de dezembro, uma multidão formou fila desde a madrugada, e o zoológico parou de aceitar visitantes para ver os pandas pouco mais de uma hora após a abertura[citation:3][citation:5][citation:9]. “O panda era um símbolo de amizade. Em circunstâncias normais, eu gostaria que a China os emprestasse (ao Japão) novamente, mas acho que é provavelmente difícil dada a situação atual”, comentou uma visitante em referência às tensões diplomáticas[citation:10].

O futuro dos pandas no Japão permanece incerto. A administração do zoológico já solicitou à China o empréstimo de um novo casal, mas ainda não recebeu uma resposta substantiva[citation:1][citation:2]. Analistas e veículos de imprensa apontam que as relações bilaterais, já fragilizadas, sofreram novo baque após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sobre um eventual conflito em Taiwan, irritando Pequim[citation:7][citation:10]. Nesse contexto, especialistas consideram improvável um novo acordo no curto prazo[citation:1][citation:7]. O governo japonês, por meio de seu secretário-chefe de gabinete, expressou a esperança de que “as trocas por meio dos pandas continuem”, reconhecendo seu papel na melhoria do sentimento público em ambos os países[citation:10].

O Zoológico de Ueno afirma que manterá o recinto dos pandas em condições adequadas para receber novos animais caso o pedido seja aceito no futuro[citation:1]. Enquanto isso, a partida de Xiao Xiao e Lei Lei não é apenas uma perda para os amantes de animais, mas o fim de um capítulo significativo na cultura popular e nas relações culturais entre Japão e China, que começou há mais de cinco décadas[citation:1].

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