Japão inicia teste pioneiro para minerar terras raras no fundo do mar
Projeto estratégico busca garantir suprimento doméstico de minerais críticos usados em carros elétricos e alta tecnologia
A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (JAMSTEC) anunciou nesta semana que realizará um teste para escavar o leito marinho profundo nas proximidades de Minamitorishima, uma remota ilha japonesa, com o objetivo de coletar sedimentos argilosos ricos em terras raras. A operação, programada para começar em janeiro de 2026, será a primeira do mundo a tentar extrair lama do fundo do mar para a separação e refino desses minerais estratégicos.
O teste utilizará o navio de pesquisa de águas profundas Chikyu, que baixará uma tubulação e um escavador para bombear o sedimento mineralizado para a superfície. As pesquisas confirmaram a presença de lama rica em terras raras a profundidades entre 5.000 e 6.000 metros dentro da zona econômica exclusiva do Japão. O material contém elementos valiosos como disprósio e neodímio, essenciais para a fabricação de motores de veículos elétricos, além de gadolínio e térbio, usados em diversos produtos de alta tecnologia.
O projeto é financiado pelo governo japonês e integra um esforço nacional para desenvolver uma fonte doméstica de terras raras, reduzindo a dependência das exportações chinesas e fortalecendo a segurança econômica e marítima do país. O diretor do programa, Shoichi Ishii, enfatizou que o objetivo principal é garantir o suprimento para a segurança nacional, e não o lucro de empresas privadas.
Se bem-sucedido, a iniciativa pretende avançar para operações de teste de um sistema capaz de recuperar 350 toneladas métricas de lama por dia a partir de janeiro de 2027. Paralelamente, está prevista a construção de uma instalação de processamento na ilha de Minamitorishima para tratar o material extraído.
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