Mercado global de IA deve atingir US$ 4,8 trilhões até 2033, impulsionando nova revolução industrial
Governo japonês anuncia investimento de ¥1 trilhão para desenvolver tecnologia própria e buscar liderança no setor
A inteligência artificial está consolidada como a força motriz de uma transformação econômica global, com previsões de mercado que atingem a casa dos trilhões de dólares para a próxima década. Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) projeta que o mercado global de IA saltará de US$ 189 bilhões em 2023 para US$ 4,8 trilhões em 2033, um crescimento de 25 vezes em apenas dez anos. Nesse cenário, a tecnologia passaria a representar 29% do mercado total de tecnologias de fronteira. Enquanto isso, o Japão posiciona-se de forma agressiva nessa corrida, com o anúncio de um pacote de apoio financeiro de cerca de ¥1 trilhão (equivalente a US$ 6,3 bilhões) ao setor privado para o desenvolvimento de sistemas de IA nacionais.
O plano do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão terá duração de cinco anos, com o auxílio financeiro começando já no próximo ano fiscal, a partir de abril. A iniciativa segue a declaração da primeira-ministra Takaichi Sanae, que defendeu investimentos superiores a ¥1 trilhão para fomentar a colaboração entre os setores público e privado. O objetivo explícito do governo, conforme delineado em um plano básico recente, é tornar o país um líder mundial no desenvolvimento e uso de sistemas de inteligência artificial, operando de forma independente.
Analistas reforçam o potencial transformador da IA para a economia japonesa. Um estudo da OpenAI aponta que a tecnologia pode adicionar mais de ¥100 trilhões em valor econômico, elevando o Produto Interno Bruto (PIB) do país em até 16%. Para alcançar esse potencial, o chamado “Japan Economic Blueprint” defende três pilares: acesso inclusivo à IA, investimento estratégico em infraestrutura (como data centers e manufatura de semicondutores) e a promoção da educação e do aprendizado ao longo da vida.
O crescimento vertiginoso do mercado não está isento de desafios e disparidades. O desenvolvimento da IA permanece altamente concentrado: apenas 100 empresas, majoritariamente dos Estados Unidos e da China, foram responsáveis por 40% da pesquisa e desenvolvimento (P&D) global em 2022. Além disso, 118 países — a maioria em desenvolvimento — não participam de nenhuma das principais iniciativas de governança global da IA, levantando preocupações sobre o aumento das desigualdades internacionais.
No campo do trabalho, o impacto será profundo. Estima-se que a IA afete 40% dos empregos globalmente, com até um terço das ocupações em economias avançadas sob risco de automação. No Brasil, por exemplo, um estudo baseado em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que a IA generativa deve impactar 31,3 milhões de empregos. Profissões administrativas, financeiras e de suporte estão entre as mais expostas. Especialistas, no entanto, ressaltam que a tendência é de transformação das funções, e não de extinção pura, com a automação de tarefas rotineiras liberando profissionais para atividades mais complexas.
As tendências tecnológicas para os próximos anos sinalizam uma aceleração dessa transformação. A IA agentica, que permite que sistemas ajam de forma autônoma, os modelos de raciocínio que simulam a cognição humana para resolver problemas complexos e a computação de borda, que processa dados diretamente nos dispositivos, estão entre os principais vetores de inovação. Este avanço exige, em contrapartida, a construção de regras claras e um uso responsável, com regulamentos como o AI Act da União Europeia começando a definir os limites éticos e de transparência para o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia.
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