Banco do Japão se abstém de declaração global de apoio ao chairman do Fed
Ausência em comunicado conjunto reflete cautela política e sensibilidade nas relações com os Estados Unidos
O Banco do Japão (BOJ) destacou-se por sua ausência em uma rara declaração conjunta assinada por mais de uma dúzia de bancos centrais globais em solidariedade a Jerome Powell, chairman do Federal Reserve dos Estados Unidos. A omissão ocorre em um momento de tensão política, após o Departamento de Justiça dos EUA ter ameaçado Powell com um indiciamento criminal relacionado ao seu testemunho perante o Congresso sobre reformas em edifícios do Fed.
O governo japonês recusou-se publicamente a comentar a decisão do banco central nacional. Em coletiva de imprensa, o Secretário-Chefe de Gabinete, Minoru Kihara, afirmou que a questão diz respeito ao próprio julgamento do BOJ e que, portanto, o governo se absteria de comentários. A declaração oficial evitou endossar ou criticar a posição do banco central, mantendo uma postura diplomática cautelosa.
Analistas interpretam a ausência do BOJ como um reflexo da aversão institucional do Japão a se envolver em assuntos políticos controversos de outras nações, especialmente aqueles que envolvem os Estados Unidos, seu principal aliado. O momento é particularmente delicado, com especulações sobre uma eleição antecipada no horizonte e relações econômicas bilaterais sob atenção.
O comunicado internacional, divulgado pelo Banco Central Europeu e assinado por autoridades como Christine Lagarde (BCE) e Andrew Bailey (Banco da Inglaterra), expressava “plena solidariedade” com o Fed e Powell, defendendo a independência dos bancos centrais como pilar da estabilidade econômica. Powell havia denunciado publicamente que a ameaça de acusações criminais era um pretexto para exercer pressão política sobre as decisões de taxas de juros do Fed.
O silêncio do BOJ contrasta com a posição de outros grandes bancos centrais da Ásia, como o Banco da Coreia e o Banco da Indonésia, que subscreveram a declaração. Enquanto isso, questões de política monetária e cambial continuam no centro do diálogo entre Japão e EUA, com o Secretário do Tesouro americano recentemente enfatizando a necessidade de uma formulação “sólida” da política monetária japonesa para conter a volatilidade excessiva do iene.
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