Dois anos do terremoto que elevou a costa e abalou o Japão
O maior sismo na região de Ishikawa desde 1885 deixou um rastro de destruição e um longo caminho de recuperação, enquanto moradores mantêm a esperança
O Japão recorda nesta quinta-feira, 1º de janeiro, dois anos do poderoso terremoto que atingiu a Península de Noto, na região central do país. O sismo, que ocorreu às 16h10 do horário local de 2024, teve magnitude 7.6 e foi o mais forte a atingir a Prefeitura de Ishikawa desde o início dos registros, em 1885. O tremor principal durou aproximadamente 50 segundos e foi seguido por milhares de réplicas, causando destruição generalizada, elevando partes da linha costeira e resultando em centenas de vítimas.
O impacto humano foi profundo. O terremoto e seus efeitos subsequentes, incluindo tsunamis e deslizamentos de terra, resultaram em um grande número de mortes. Muitas dessas fatalidades foram classificadas como “indiretamente relacionadas” ao desastre, agravadas pelas duras condições de inverno, pelo medo de novas réplicas e pelos estresses da vida em abrigos temporários. Além das perdas humanas, o sismo danificou gravemente mais de 200 mil estruturas em nove prefeituras, incluindo dezenas de milhares de residências, muitas delas tradicionais casas de madeira que não resistiram à violência do tremor.
Um dos fenômenos geológicos mais marcantes foi a dramática elevação do solo. Dados de satélite analisados por agências espaciais e geológicas confirmaram que o terremoto levantou permanentemente até 4 metros de altura em alguns trechos da costa norte da península. Em locais como a Baía de Minazuki, na cidade de Wajima, o litoral avançou em direção ao mar em mais de 200 metros, deixando portos de pesca secos e expondo o fundo do mar onde antes havia água. No total, estima-se que cerca de 4,4 quilômetros quadrados de novo território tenham emergido ao longo de 85 quilômetros de costa.
A reconstrução da região, que já tinha uma população envelhecida e em declínio antes da tragédia, é um desafio de longo prazo. O governo da prefeitura de Ishikawa divulgou um plano de recuperação de nove anos, que se estende até o ano fiscal de 2032. O plano tem como objetivos criar comunidades mais resilientes a desastres e atrair nova população para a região. No entanto, especialistas temem que o processo seja lento e que muitos deslocados possam nunca retornar às suas cidades de origem. Meses após o desastre, milhares de pessoas ainda viviam em abrigos temporários ou em habitações provisórias, aguardando a reconstrução de suas casas e o restabelecimento completo da infraestrutura local.
O terremoto da Península de Noto entrou para a história não apenas pela sua força, mas por ter ocorrido após um incomum “enxame sísmico” que afetava a região desde o final de 2020. Esta série contínua de tremores de menor intensidade, que incluíram um evento de magnitude 6.5 em maio de 2023, já havia colocado as autoridades em alerta, mas o evento do Dia de Ano Novo superou todas as expectativas. O episódio serviu como um lembrete contundente da constante atividade tectônica do arquipélago japonês e da necessidade de vigilância e preparo permanentes.
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