Japão propõe revitalizar OCDE como hub global para potências médias pós-Davos

Japão defende revitalização da OCDE como centro de potências médias

Encontro em Davos e fala de líder canadense sinalizam mudança estrutural na ordem global

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, reuniu-se com seu homólogo da Suíça, Martin Pfister, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na quarta-feira. No centro dos debates do evento, emergiu a proposta de que o Japão deve trabalhar para revitalizar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um polo para as potências médias, transcendendo a estrutura tradicional do G7 e de Bretton Woods.

A relevância dessa visão foi ecoada pela declaração do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também líder do G7, durante o fórum. “A velha ordem não vai voltar”, afirmou Carney, de maneira calma, mas carregada de significado. A observação não foi uma mera resposta ao retorno da política “America First” ou à reaparição do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, no palco de Davos. Representa uma avaliação mais profunda: a premissa do pós-guerra de um fiador confiável das regras econômicas globais, sobretudo os Estados Unidos, não pode mais ser considerada garantida. O problema, portanto, não é um desvio temporário, mas uma mudança estrutural.

Desse diagnóstico, surgiu a proposição central de Carney: em um mundo onde nenhuma única potência pode ou quer sustentar a ordem, a estabilidade deve ser cada vez mais gerida por potências médias atuando em conjunto. Para o Japão, essa não é apenas uma reflexão teórica, mas um espelho de sua própria posição no cenário internacional. O país vê na OCDE revitalizada uma plataforma crucial para que nações com influência intermediária, mas significativa, coordenem esforços e promovam a governança global em uma era de transição.

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