Japão terá eleições em 8 de fevereiro após dissolução histórica do Parlamento

Takaichi dissolve Parlamento japonês em eleição antecipada para 8 de fevereiro

Decisão histórica inicia campanha de 16 dias, a mais curta desde o fim da Segunda Guerra Mundial

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu oficialmente a Câmara dos Representantes (Câmara Baixa) do Parlamento nesta sexta-feira, convocando eleições gerais antecipadas para o dia 8 de fevereiro. A dissolução, decretada pelo presidente da Câmara, Fukushiro Nukaga, às 13h (horário local), marca o início de uma campanha eleitoral relâmpago de apenas 16 dias, a mais curta do país desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Takaichi, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no Japão, assumiu o poder em outubro do ano passado e busca agora um mandato popular para sua nova coalizão governista. A sua decisão, anunciada na última segunda-feira, é descrita como um “referendo à sua liderança” e visa consolidar a aliança entre o seu Partido Liberal Democrático (PLD) e o novo parceiro, o Partido da Inovação do Japão (conhecido como Ishin).

A movimentação política é repleta de aspectos incomuns. Esta é a primeira vez em 60 anos que uma dissolução ocorre no início de uma sessão legislativa regular. Além disso, os atuais parlamentares completaram menos de um terço do seu mandato de quatro anos, que começou após as últimas eleições de outubro de 2024. A campanha oficial terá início na próxima terça-feira, dia 27.

A primeira-ministra, que conta com um índice de aprovação pessoal elevado, de cerca de 70%, lidera um governo de coalizão com uma maioria extremamente apertada de apenas um assento na poderosa Câmara Baixa. O objetivo declarado do PLD e do Ishin é conquistar, juntos, pelo menos 233 dos 465 assentos em disputa para obter uma maioria estável.

As eleições representam o primeiro grande teste para a nova configuração política japonesa. Do lado governista, a coalizão PLD-Ishin busca sua legitimação. Na oposição, uma nova força foi criada: a Aliança de Reforma Centrista, formada pela união do principal partido de oposição, o Partido Democrático Constitucional, com o Komeito, que foi parceiro do PLD por 26 anos até romper a aliança após a ascensão da conservadora Takaichi.

Os principais temas da campanha devem girar em torno das medidas para combater a inflação, que afeta itens básicos como o arroz, as políticas de segurança nacional em um contexto de tensões com a China e a proposta de aumento dos gastos públicos para reativar o crescimento econômico. A decisão de convocar eleições antes da aprovação do orçamento nacional para o próximo ano fiscal, que começa em abril, tem sido alvo de duras críticas da oposição.

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