Foguete H3 do Japão falha em missão crucial para o sistema de GPS nacional
Falha no motor durante lançamento do satélite Michibiki 5 representa revés para os planos espaciais e de navegação do país
O lançamento do foguete H3 No. 8, o mais novo veículo de lançamento de grande porte do Japão, terminou em fracasso nesta segunda-feira (22), não conseguindo colocar o satélite de navegação Michibiki No. 5 em sua órbita planejada. O satélite era uma peça fundamental para a expansão do Quasi-Zenith Satellite System (QZSS), o sistema de posicionamento global próprio do Japão, também conhecido como o GPS japonês.
O foguete decolou do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, mas a missão foi comprometida quando a segunda ignição do motor do segundo estágio falhou e se desligou prematuramente. Como resultado direto dessa anomalia, o satélite não pôde ser inserido na trajetória correta. Em comunicado oficial, a Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (JAXA) reconheceu o fracasso do lançamento e apresentou suas profundas desculpas ao público e às partes envolvidas, que depositavam grandes expectativas no projeto.
O Michibiki No. 5, que pesa aproximadamente 4.800 quilogramas, tinha a missão de se juntar à constelação QZSS. Esse sistema é compatível e opera de forma integrada com os satélites do GPS americano, mas oferece uma precisão muito maior para a região da Ásia e Oceania, com um erro máximo de cerca de um metro em comparação com os dez metros do sistema tradicional. A tecnologia é vital para aplicações de ponta, como transporte com drones, maquinário agrícola autônomo e navegação marítima de precisão.
Esta é a segunda falha em sete lançamentos do foguete H3, que foi desenvolvido pela JAXA em parceria com a Mitsubishi Heavy Industries para ser o sucessor do antigo e bem-sucedido modelo H-2A. A JAXA já formou uma força-tarefa especial, liderada pelo seu presidente, Hiroshi Yamakawa, para investigar a causa raiz do problema. A falha ocorre em um momento crítico, pois o foguete H3 é visto como a chave para que o Japão mantenha competitividade no mercado global de lançamentos espaciais, onde a redução de custos é essencial.
O lançamento do H3 No. 8 já havia sido adiado duas vezes na semana anterior devido a problemas técnicos distintos, incluindo uma anomalia em um sensor e, posteriormente, uma falha no sistema de água de resfriamento da plataforma, que forçou um aborto de emergência a apenas 17 segundos da decolagem. O fracasso de agora representa um duro golpe para a autonomia espacial japonesa, deixando o país temporariamente sem um veículo de lançamento de grande porte próprio, já que o H-2A foi aposentado em meados deste ano.
O plano do governo japonês previa a formação de uma constelação de sete satélites Michibiki operacionais até março de 2026, com o objetivo de tornar o sistema completamente independente. O atraso causado pela perda do Michibiki No. 5 coloca essa meta em risco. O próximo lançamento do H3, que carregaria o satélite Michibiki No. 7, estava originalmente programado para fevereiro do próximo ano, e seu destino agora dependerá das conclusões da investigação em andamento.
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