Líder francesa recorre de condenação por desvio de fundos em julgamento crucial

Futuro político de Marine Le Pen é decidido em tribunal de Paris

Líder da extrema-direita francesa recorre de condenação por desvio de fundos da UE que pode impedi-la de concorrer à presidência em 2027

A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, iniciou nesta terça-feira (13) um crucial julgamento de apelação em Paris, no qual tenta reverter uma condenação por desvio de fundos públicos que ameaça suas ambições de concorrer à presidência do país em 2027. Durante a abertura do processo, Le Pen afirmou ao tribunal que não tinha “nenhum sentimento de ter cometido uma infração” e defendeu que o Parlamento Europeu não cumpriu seu papel de fiscalizar as despesas.

O caso, que será analisado até 12 de fevereiro com um veredito esperado apenas para o verão, centra-se na acusação de que Le Pen e mais de 20 outras figuras de seu partido, o Reagrupamento Nacional (RN), usaram indevidamente cerca de 5 milhões de dólares em verbas do Parlamento Europeu ao longo de 14 anos. Os recursos, destinados ao pagamento de assistentes parlamentares, teriam sido utilizados para custear funcionários do partido na França.

Em março do ano passado, Le Pen foi condenada em primeira instância a quatro anos de prisão, sendo dois em regime aberto com tornozeleira eletrônica, uma multa de 100 mil euros e, o mais importante, uma proibição de cinco anos para concorrer a cargos públicos com “efeito imediato”. Se a pena de inelegibilidade for mantida pela corte de apelação, ela ficará automaticamente fora da disputa presidencial de 2027.

Diante dos juízes, a política de 57 anos argumentou que seu partido nunca escondeu as atividades dos funcionários e culpa o Parlamento Europeu por não ter alertado sobre supostas irregularidades. Especialistas apontam que, além de uma absolvição completa, há outros cenários possíveis: os juízes podem manter a condenação, mas retirar o “efeito imediato” da pena, o que permitiria a Le Pen se candidatar enquanto leva o caso ao tribunal supremo francês. Uma decisão que mantenha a sentença original praticamente encerrará sua tentativa de concorrer à presidência pela quarta vez.

O julgamento ocorre em um momento de crescente popularidade do Reagrupamento Nacional na França. Com o presidente Emmanuel Macron inelegível após dois mandatos e a esquerda fragmentada, pesquisas recentes sugerem que o político Jordan Bardella, aliado de Le Pen e presidente do RN, poderia ter mais chances eleitorais do que a própria líder. Bardella já declarou que, se Le Pen for impedida, será o candidato do partido e que barrá-la da eleição seria “profundamente preocupante para a democracia”.

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