Em meio a protestos, líder supremo do Irã distingue manifestantes de ‘agitadores’
Khamenei admite justiça nas reivindicações econômicas, mas promete repressão dura àqueles que classifica como provocadores, enquanto violência já causou mortes.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, fez seu primeiro pronunciamento público neste sábado sobre uma semana de protestos que tomam o país, adotando um tom ambíguo. Ele reconheceu como “justas” e “completamente justas” as demandas econômicas dos manifestantes, mas emitiu um severo aviso de que os chamados “agitadores” seriam confrontados com força pelas autoridades.
Os protestos eclodiram no último domingo, inicialmente como uma expressão de descontentamento com os altos preços e a estagnação econômica que assola o país, atingido por sanções internacionais. Rapidamente, no entanto, os atos se espalharam para mais de duas dezenas de cidades e começaram a incorporar demandas políticas contra o governo.
Em discurso transmitido pela televisão estatal, Khamenei buscou traçar uma linha clara entre os dois grupos. “Falamos com os manifestantes, os oficiais devem falar com eles”, afirmou. “Mas não há benefício em falar com agitadores. Os agitadores devem ser postos em seu lugar”. O líder de 86 anos repetiu a acusação frequentemente feita por autoridades iranianas de que potências estrangeiras, como Israel e Estados Unidos, estariam por trás dos distúrbios, embora sem apresentar provas.
A violência relacionada aos protestos já resultou em mortes. De acordo com relatos oficiais e da mídia local, pelo menos oito pessoas, incluindo membros das forças de segurança, morreram em confrontos. Em um incidente na cidade sagrada de Qom, um homem morreu quando uma granada que portava explodiu em suas mãos. No oeste do país, um membro da força paramilitar Basij foi morto após ser esfaqueado e baleado durante um protesto na cidade de Harsin.
As manifestações, consideradas as maiores no Irã desde os protestos de 2022 pela morte de Mahsa Amini, concentram-se principalmente em cidades de médio porte do oeste e sudoeste do país. Em algumas localidades, como Darehshahr, grupos de até 300 pessoas bloquearam ruas e confrontaram a polícia. Na capital, Teerã, o cenário estava mais calmo durante o feriado deste sábado, com ruas vazias sob chuva e neve.
A postura do governo tem sido de tentativa de conciliação em relação às queixas econômicas, enquanto promete tolerância zero contra o que chama de caos e desestabilização. O discurso de Khamenei é visto como um sinal verde para que as forças de segurança reprimam com vigor qualquer ação que considerem fora dos limites, mesmo enquanto o presidente reformista Masoud Pezeshkian tenta negociar.
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