Líderes europeus exigem respeito após crise com EUA sobre Groenlândia e temem acordo de segurança.

UE aliviada com recuo de Trump na Groenlândia, mas cautelosa com projeto de paz

Crise abala aliança transatlântica e levanta questões sobre soberania e segurança no Ártico

Os líderes da União Europeia reagiram com um misto de alívio e desconfiança após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar de suas ameaças tarifárias sobre a Groenlândia. Em uma cimeira extraordinária em Bruxelas, os europeus exigiram respeito na parceria transatlântica, mas expressaram fortes reservas em relação ao envolvimento no projeto de paz proposto por Trump, que pode envolver a criação de bases militares americanas no território ártico.

O clima de tensão foi atenuado após Trump anunciar, através de sua plataforma Truth Social, a formação da “estrutura de um futuro acordo em relação à Groenlândia”, resultado de uma reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. O anúncio representou uma reviravolta após semanas em que o presidente americano não descartou o uso de força militar para obter o controle da maior ilha do mundo, um território autônomo do Reino da Dinamarca e aliado da Aliança Atlântica.

No encerramento da cimeira europeia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, deixou clara a posição do bloco. “Acreditamos que as relações entre parceiros e aliados devem ser geridas de forma cordial e respeitosa”, afirmou. “A União Europeia continuará a defender os seus interesses e a defender-se a si própria, aos seus Estados-Membros, aos seus cidadãos e às suas empresas, contra qualquer forma de coação.” Ao seu lado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco foi “bem-sucedido” ao ser “firme, não agressivo e, acima de tudo, muito unido”.

Os detalhes do acordo futuro em gestação são escassos e fonte de apreensão. Fontes citadas pelo jornal The New York Times indicam que uma das propostas em discussão entre os EUA e a OTAN prevê que a Dinamarca conceda aos americanos o controle sobre pequenas porções de terra na Groenlândia para a instalação de bases militares. Este modelo seria semelhante ao status das bases britânicas em Chipre, consideradas território do Reino Unido. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, teria sido um defensor desta ideia, embora tenha declarado publicamente que a soberania sobre a Groenlândia não foi discutida em sua reunião com Trump.

O interesse de Trump na Groenlândia é antigo e foi justificado por ele com argumentos de segurança nacional. O presidente americano afirmou que a ilha é essencial para seus planos de construir o sistema de defesa antimísseis “Domo de Ouro” e para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Analistas também apontam o interesse nas vastas reservas de minerais raros e críticos da ilha, fundamentais para tecnologias modernas.

A crise recente teve ramificações econômicas imediatas, colocando em risco o acordo comercial alcançado entre EUA e UE em julho de 2025, que estabeleceu uma tarifa de 15% para a maioria das exportações europeias para os EUA. Com a ameaça tarifária de Trump sobre a Groenlândia, a ratificação do acordo pelo Parlamento Europeu, prevista para breve, foi suspensa, criando nova incerteza para as empresas de ambos os lados do Atlântico.

A Dinamarca e o governo local da Groenlândia mantêm uma posição firme: a soberania é uma linha vermelha intransponível. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que seu país está disposto a discutir assuntos relacionados com a Groenlândia com a Casa Branca, desde que a soberania esteja fora de questão. Autoridades groenlandesas manifestaram preocupação de que as negociações sobre o futuro da ilha estejam sendo conduzidas sem sua participação direta, tendo apenas solicitado a Rutte que transmitisse suas “linhas vermelhas” a Trump.

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