Mercado de Tsukiji em Tóquio mantém preços altos e aglomeração, mas opção acessível de ramen surge como alívio

Em meio a preços altos e multidão em Tsukiji, ramen acessível surge como descoberta

Apesar do aviso de viagem da China, mercado de Tóquio segue lotado, mas repórter encontra alívio para o bolso em uma tigela de macarrão

Mais de um mês após o governo chinês emitir um aviso para que seus cidadãos evitem viajar para o Japão, o famoso mercado de Tsukiji, em Tóquio, continua a enfrentar aglomerações significativas. A movimentação na área, conhecida como “a cozinha de Tóquio”, permanece intensa, especialmente no mercado exterior, onde restaurantes e lojas atendem tanto a turistas quanto a moradores locais.

O aviso de viagem, emitido em meados de novembro, já reflete nos números: o crescimento no fluxo de turistas chineses para o Japão desacelerou bruscamente, caindo de uma alta de 22,8% em outubro para apenas 3,0% em novembro. O impacto econômico começa a ser sentido, com hotéis e companhias aéreas reportando um aumento nos cancelamentos por parte de viajantes da China. Apesar disso, a sensação nas ruas de Tsukiji, por volta das 11h da manhã, era de dificuldade para caminhar em linha reta devido à concentração de pessoas.

A aglomeração é tamanha que o Conselho de Desenvolvimento da Cidade Gastronômica de Tsukiji chegou a fazer um pedido inédito: que grupos de turismo organizado evitem visitar o mercado exterior durante o mês de dezembro. A medida visa prevenir condições perigosas de superlotação durante a tradicional corrida de fim de ano para compras de Ano-Novo. A infraestrutura da área, originalmente um mercado atacadista para profissionais, não foi projetada para acomodar o grande volume de visitantes que chegou após os Jogos Olímpicos de Tóquio, um fenômeno que especialistas descrevem como “overtourism”.

O repórter que visitou o local observou que, apesar da redução no crescimento de turistas chineses, ainda era possível ouvir conversas em mandarim entre a multidão, composta por pessoas de várias partes do mundo. A pergunta que motivou a visita era se, com a possível diminuição da demanda, os preços abusivos que se tornaram comuns em Tsukiji mostrariam sinais de arrefecimento.

A resposta, infelizmente para o bolso dos consumidores, foi negativa. A fama de Tsukiji como um local para se comer sushi de alta qualidade a preços baixos parece ter ficado no passado. O fenômeno do “Inbound Don” – tigelas de arroz com ingredientes caros, como ouriço-do-mar e ovas de salmão, direcionadas e precificadas para o turista estrangeiro – consolidou-se na região. Onde antes era possível encontrar uma tigela mista de sashimi por cerca de 1.000 ienes, agora é necessário estar preparado para pagar o dobro, com ofertas focadas em ingredientes premium.

Em uma verificação in loco, o repórter encontrou restaurantes onde a tigela de sashimi mais barata custava 1.900 ienes, sendo esta repleta de camarões brancos menores e mais baratos. Tigelas padrão com atum ou salmão eram oferecidas por 2.400 e 3.500 ienes, respectivamente. Em outro estabelecimento, uma única tigela com ouriço-do-mar alcançava a impressionante marca de 22.000 ienes.

Foi em contraste com essa realidade que surgiu uma descoberta agradável. Após passar por várias opções caras, o repórter se deparou com o restaurante de ramen Menya Nobunaga Shogun. Para surpresa, uma placa na entrada anunciava um ramen especial por apenas 600 ienes (cerca de 3,90 dólares). Apesar de ser um preço promocional do dia – o valor normal do “Nobunaga Ramen” é de 980 ienes –, a opção se mostrou uma excelente relação custo-benefício.

O ramen, longe de ser uma versão simplificada, impressionou pela qualidade. O caldo, uma mistura de frango e peixe, leva 48 horas para ser preparado, resultando em um sabor intenso sem aftertaste desagradável. Os noodles ondulados tinham uma textura na medida certa, e no lugar do tradicional porco chashu, era servida uma fatia de frango no estilo chashu, com um toque final de limão no caldo para harmonizar os sabores. Para quem busca uma experiência turística de alto custo, o mesmo restaurante oferece uma versão com wagyu, trufa negra e folhas de ouro por 9.500 ienes.

A visita a Tsukiji revela um cenário complexo para o turismo no Japão. Enquanto as autoridades começam a implementar medidas para gerenciar o excesso de visitantes em pontos icônicos, e a economia se prepara para um impacto potencialmente bilionário com a redução de turistas chineses, a realidade local para moradores e viajantes independentes ainda é a de preços inflacionados em áreas ultra populares. Nesse contexto, a descoberta de uma refeição saborosa e acessível, como o ramen de 600 ienes, serve como um lembrete valioso de que as melhores experiências no Japão nem sempre têm um preço exorbitante.

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