Mercados em alerta para possível ação coordenada entre Tóquio e Washington.

Japão e EUA sinalizam intervenção conjunta para conter iene fraco

Expectativa de ação coordenada gera alerta nos mercados e afeta câmbio global

Os mercados financeiros internacionais estão em estado de vigilância máxima diante da possibilidade de uma intervenção oficial coordenada entre Japão e Estados Unidos para sustentar a valorização do iene. O movimento ganhou força após a moeda japonesa registrar, na última sexta-feira (23), seu maior salto em quase seis meses, impulsionado por rumores de que o Federal Reserve de Nova York, atuando como agente do Tesouro americano, teria realizado “checagens de taxas” (rate checks).

Neste domingo (25), a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, reforçou o tom de alerta ao declarar que o governo adotará as “medidas necessárias” contra movimentos de mercado considerados anormais ou puramente especulativos. A fala ocorre em um cenário de baixa liquidez na Ásia, que costuma acentuar a volatilidade. Nas primeiras negociações após o fim de semana, o dólar recuou 0,8% frente ao iene, atingindo 154,56, o menor nível desde meados de dezembro.

O Banco do Japão já havia sinalizado sua preocupação, destacando que o iene fraco tem um impacto cada vez maior sobre a inflação nacional, à medida que as empresas repassam ativamente os custos crescentes de importação. A autoridade monetária japonesa apontou que os efeitos de “segunda ordem”, como o repasse de custos de mão de obra, estão tornando o impacto sobre os preços maior e mais duradouro do que no passado.

A grande aposta dos operadores agora reside na possibilidade de uma intervenção conjunta entre EUA e Japão, algo que não ocorre desde 2011. A sinalização de cooperação ficou mais clara após o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, expressar preocupações sobre a desvalorização de moedas asiáticas, como o iene e o won sul-coreano. Esse alinhamento gerou no mercado a tese de um “Acordo de Mar-a-Lago”, focado em estabilizar as divisas asiáticas contra o fortalecimento do dólar.

As expectativas de uma ação coordenada já reverberam globalmente, contribuindo para um enfraquecimento do dólar em várias praças. No Brasil, por exemplo, a moeda americana teve queda forte, impulsionada em parte por esse movimento internacional. Estrategistas do setor apontam que o dólar pode ter finalmente atingido seu teto contra o iene, com possibilidade de correção para a faixa de 140,00 a 145,00, nível considerado mais condizente com os diferenciais de juros atuais entre as duas economias.

A eficácia de uma futura intervenção, no entanto, será testada nas próximas horas e dias. Se a percepção de uma ação conjunta entre o Japão e seus parceiros se confirmar, a tendência é de uma recuperação mais sustentada da moeda japonesa, aliviando a pressão inflacionária sobre a economia doméstica e reorganizando as estratégias de investimento global.

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