Metrópole verde projetada no meio da floresta é chamada de ‘cidade fantasma’

Nusantara: a promessa de uma metrópole verde que enfrenta o fantasma do abandono

Projetada para ser a nova capital da Indonésia, cidade construída do zero em Bornéu luta para atrair moradores e superar desafios de infraestrutura

Em um remoto canto da ilha de Bornéu, um corredor desliza sem obstáculos pelo meio de uma ampla avenida de seis pistas, recém-asfaltada. Não há tráfego. Nas proximidades, uma gigantesca escultura de uma ave semelhante a uma águia, feita com milhares de barras de cobre, pousa sobre uma colina. Este é o coração de Nusantara, uma nova metrópole verde que surge do zero em meio à floresta indonésia. No entanto, três anos após o início das obras, as perspectivas para o que foi anunciado como a futura capital do país são incertas.

Apenas uma fração dos servidores públicos que deveriam se mudar para a cidade o fizeram. O futuro do abastecimento de água está em dúvida. Os residentes ainda precisam enfrentar horas de deslocamento para chegar a um shopping center ou a um cinema. Muitos indonésios agora se referem ao local como uma cidade fantasma.

O cenário contrasta fortemente com a visão ambiciosa apresentada pelo governo. Nusantara foi concebida para ser uma capital administrativa moderna e sustentável, aliviando a pressão sobre a superlotada Jacarta. As imagens mostram conjuntos habitacionais para servidores públicos e suas famílias, com parques infantis e passarelas integradas à natureza, capturadas em novembro. Apesar da infraestrutura física estar tomando forma, a vida urbana e os serviços essenciais que constituem uma cidade ainda estão ausentes para muitos.

O isolamento é um dos principais obstáculos. A distância dos principais centros urbanos e a falta de comércio, saúde e entretenimento consolidados desestimulam a mudança definitiva das famílias. Especialistas apontam que, além dos edifícios governamentais, é crucial desenvolver rapidamente uma economia local e uma rede de serviços públicos que sustentem uma comunidade permanente.

Enquanto o governo indonésio reitera seu compromisso com o projeto, o ritmo lento da ocupação e as questões logísticas lançam um véu de incerteza sobre o cronograma completo da transferência da capital. O sucesso de Nusantara dependerá não apenas de sua arquitetura verde, mas da capacidade de atrair e reter pessoas, transformando-se de um conjunto de obras em uma cidade pulsante.

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