Japão corrige método estatístico e revela taxa real de ingresso no ensino superior
Após décadas, Ministério da Educação reformula cálculo que excluía alunos com deficiência e pede desculpas públicas
O Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão anunciou nesta sexta-feira a reformulação do método de cálculo da pesquisa escolar básica do país. A mudança foi necessária após a descoberta de que a taxa de ingresso nas universidades era calculada sem incluir os formandos de escolas especiais para crianças com deficiência. O ministro da pasta, Matsumoto Yohei, apresentou pedidos públicos de desculpa pelo erro histórico, que levou à revisão de dados estatísticos que, em alguns casos, remontam a 77 anos atrás.
A investigação do ministério revelou que a prática inadequada não se limitava à taxa de ingresso em universidades. Outros dez indicadores estatísticos fundamentais, incluindo taxas de ingresso em faculdades de curta duração, colégios e índices de emprego para graduados do ensino médio, também foram calculados de forma semelhante, excluindo sistematicamente alunos de escolas de educação especial. No total, doze estatísticas oficiais foram afetadas.
Como resultado da correção, a taxa de ingresso em universidades para o ano fiscal de 2024, anteriormente anunciada como um recorde de 59,1%, foi revisada para 58,6%. Essa diferença de 0,5 ponto percentual reflete a inclusão de aproximadamente 9.836 formandos de escolas especiais que foram injustamente excluídos do cálculo original. O valor para o ano fiscal de 2025, também anunciado, é o mesmo: 58,6%.
O problema tem raízes profundas. A metodologia que omitia os alunos com deficiência foi estabelecida pelo antigo Ministério da Educação em 1971 e aplicada continuamente na pesquisa escolar básica desde pelo menos 1999. Investigação interna, que incluiu entrevistas com 40 funcionários atuais e aposentados, não conseguiu determinar o motivo exato para a exclusão inicial. As justificativas dadas foram a priorização da “continuidade” dos dados e a falta de questionamento sobre a prática herdada.
Além de corrigir os dados da pesquisa escolar básica, o ministério se comprometeu a examinar outros 15 levantamentos estatísticos sob sua responsabilidade para verificar possíveis exclusões semelhantes. Medidas para evitar a repetição do erro incluem a realização de treinamentos para funcionários sobre compreensão das deficiências e o aumento de especialistas em análise de dados dentro do ministério.
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