Japão emite alerta severo e ameaça intervir no mercado para conter iene fraco
Moeda atinge mínimas e pressiona economia
O governo japonês emitiu sua advertência mais severa até o momento sobre a prontidão para intervir no mercado de câmbio, em um esforço para deter a forte desvalorização do iene, que tem aumentado os preços das importações e o custo de vida no país. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou que o Japão tem “liberdade para lidar com os movimentos excessivos” da moeda e que os movimentos recentes “absolutamente não refletem os fundamentos” econômicos.
O iene atingiu uma mínima de 11 meses, chegando a 157,78 contra o dólar americano na semana passada. Katayama atribuiu a intensidade da queda a movimentos especulativos e afirmou que o governo tomará as medidas apropriadas contra movimentos excessivos, baseando-se em um acordo com os Estados Unidos estabelecido em setembro. A última intervenção direta de Tóquio no mercado ocorreu em julho de 2024, quando a moeda atingiu 161,96 por dólar, a menor cotação em 38 anos.
Iene fraco reflete em ranking de PIB per capita
A depreciação da moeda tem impactado a posição relativa da economia japonesa no mundo. O produto interno bruto (PIB) per capita do Japão caiu para o 24º lugar entre os 38 membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2024, a posição mais baixa já registrada desde que dados comparáveis se tornaram disponíveis, em 1994. O valor ficou em 33.785 dólares, atrás de países como Espanha e Eslovênia, refletindo a combinação de baixo crescimento econômico e do iene mais fraco.
Em termos do tamanho total da economia, o Japão se manteve como a quarta maior do mundo, com um PIB nominal de 4,19 trilhões de dólares. No entanto, sua participação no PIB global foi de apenas 3,8%, muito abaixo dos 26,2% dos Estados Unidos.
Contexto de desafios econômicos e demográficos
A firme postura do governo sobre o câmbio surge em um momento de múltiplos desafios estruturais. Projeções indicam que o número de nascimentos no Japão em 2025 deve cair para cerca de 667.542, o que seria um novo recorde mínimo anual pelo décimo ano consecutivo e o número mais baixo desde o início dos registros, em 1899. Essa tendência ameaça agravar a escassez de mão de obra em diversos setores da economia.
Paralelamente, o governo continua a buscar o fortalecimento de suas capacidades de segurança. O primeiro-ministro Sanae Takaichi presidiu uma reunião do Conselho Ministerial para o Fortalecimento das Capacidades de Segurança Marítima, enfatizando a necessidade de defender resolutamente o território e as águas territoriais japonesas em um ambiente de segurança cada vez mais severo.
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