Honda e Aston Martin unem forças para nova era da Fórmula 1 a partir de 2026
Parceria de fábrica foi anunciada em Tóquio e coincide com a maior reforma técnica do esporte em décadas
A Honda e a Aston Martin Aramco Formula One Team celebraram oficialmente o início de uma parceria de fábrica para a Fórmula 1 em um evento realizado em Tóquio. A aliança, que terá efeito a partir da temporada de 2026, foi anunciada pelos principais executivos das empresas e da própria F1, marcando um passo estratégico que coincide com uma mudança histórica nas regulamentações técnicas do esporte.
A partir de 2026, a Honda atuará como fornecedora oficial de unidades de potência para a equipe Aston Martin sob um acordo de parceria de fábrica, o que significa que o chassi e o motor serão desenvolvidos de forma integrada para maximizar o desempenho. A nova unidade de potência, desenvolvida pela Honda Racing Corporation (HRC), levará a designação RA626H.
O evento de lançamento contou com a presença de Toshihiro Mibe, CEO Global da Honda; Lawrence Stroll, Presidente Executivo da Aston Martin Aramco F1 Team; e Stefano Domenicali, Presidente e CEO da Formula 1. Eles destacaram que a temporada de 2026 trará a maior reformulação técnica da história recente da categoria, com novas regras para chassi e motores que priorizam a sustentabilidade.
As novas regulamentações exigirão que a potência elétrica gerada pelo motor e pela bateria seja aproximadamente três vezes maior do que a atual. Além disso, será obrigatório o uso de combustível sustentável avançado no motor de combustão interna, transformando a F1 em um campo de testes para eletrificação e descarbonização. A F1 estabeleceu a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2030, tendo já reduzido suas emissões de carbono em 26% no final de 2024 em comparação com 2018.
Em seu discurso, Toshihiro Mibe conectou a nova empreitada ao espírito do fundador da Honda, Soichiro Honda, e à rica história da marca na categoria. A Honda conquistou sua primeira vitória na F1 já em 1965 e viveu uma era de ouro entre as décadas de 1980 e 1990 com as equipes Williams e McLaren. Mibe afirmou que a empresa vê a F1 não apenas como o ápice da tecnologia automotiva, mas também como um local crucial para o desenvolvimento de talentos de engenharia que depois contribuem para os carros de produção.
Um símbolo visível dessa nova fase será um novo logotipo “H”, com design atualizado, que adornará os carros de F1 e simboliza a transformação dos negócios de automóveis da Honda. A marca também planeja levar tecnologias desenvolvidas na F1 para modelos de produção especiais, como uma versão baseada no Civic Type R HRC Concept, e aplicar conhecimentos em combustíveis sustentáveis e motores de alta rotação em outras áreas de mobilidade, como combustíveis de aviação e motores para eVTOLs (aeronaves de decolagem e pouso vertical).
Stefano Domenicali ressaltou o significado do retorno da Honda para o mercado japonês, onde o esporte já conta com cerca de 17 milhões de fãs. O Grande Prêmio do Japão de 2025, realizado em Suzuka, recebeu 266.000 espectadores durante o fim de semana e registrou um aumento de 26% na audiência televisiva no país em relação ao ano anterior. Globalmente, a F1 atingiu a marca de 827 milhões de fãs em 2025.
Lawrence Stroll expressou confiança na parceria, citando a colaboração próxima entre a nova base tecnológica da Aston Martin em Silverstone, no Reino Unido, e a HRC em Sakura, no Japão. A equipe também conta com a experiência de Andy Cowell como Diretor de Estratégia e com o fornecimento de combustíveis sustentáveis pela Aramco. Stroll reconheceu que o caminho para a vitória é desafiador, mas que a busca pelo título é o que move ambas as empresas.
A primeira oportunidade de ver a nova parceria em ação será no Grande Prêmio da Austrália, que abre a temporada de 2026 em Melbourne.
Acompanhe mais atualizações no Japão em Pauta.






