Crise atinge ostras no Japão: até 90% morrem em principal região produtora
Produtores de Hiroshima enfrentam perdas devastadoras; governo anuncia pacote de apoio emergencial
Uma mortalidade em massa de ostras cultivadas está causando uma crise sem precedentes na aquicultura japonesa. Na província de Hiroshima, a maior produtora do país, entre 80% e 90% das ostras chegaram mortas ao serem desembarcadas desde o início da temporada, em meados de outubro. A situação, descrita pelas autoridades como “verdadeiramente um desastre”, levou o governo a finalizar um pacote emergencial de apoio financeiro aos produtores devastados.
Os danos severos concentram-se principalmente no Mar Interior de Seto, que responde por 80% da produção nacional de ostras. Além de Hiroshima, outras prefeituras como Okayama e Hyogo também registraram taxas de mortalidade anormais, que variam de região para região, mas chegam a 80% em alguns locais. Em um ano típico, a taxa média de ostras mortas no desembarque fica entre 30% e 50%, mas os números atuais indicam uma calamidade para o setor.
Especialistas e autoridades suspeitam que uma combinação de fatores ambientais esteja por trás da tragédia. A teoria predominante aponta que as ostras, expostas simultaneamente a temperaturas da água excepcionalmente altas e a ambientes com alta salinidade, sofreram distúrbios fisiológicos que levaram à morte. O calor recorde e a baixa precipitação durante o verão e o outono são apontados como as causas primárias desse cenário.
O impacto econômico é colossal. Um levantamento preliminar estima que os danos para a aquicultura e negócios relacionados na província de Hiroshima podem atingir a escala de 30 bilhões de ienes. O golpe se estende para além das fazendas, afetando festivais gastronômicos que foram cancelados e até programas municipais que usavam ostras como brinde para doações de impostos. “Como vamos sobreviver?”, questiona um produtor com mais de 20 anos de experiência, que nunca viu uma situação tão grave.
Em resposta, o ministro da Agricultura, Norikazu Suzuki, visitou as fazendas afetadas e afirmou que o governo oferecerá o apoio necessário para garantir fundos e manter o emprego na região. O pacote em finalização permitirá que os produtores obtenham empréstimos praticamente sem juros por até cinco anos de instituições financeiras afiliadas ao governo.
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