Corrida contra o tempo: a luta dos hibakushas por um mundo sem armas nucleares
No Parque Memorial da Paz de Hiroshima, vencedores do Nobel da Paz de 2024 mobilizam a sociedade japonesa
Um membro da Nihon Hidankyo, a Confederação Japonesa de Organizações de Vítimas das Bombas Atômicas, recolheu assinaturas para uma petição que pressiona o governo japonês a ratificar o Tratado de Proibição de Armas Nucleares. A ação ocorreu em outubro de 2024 no Parque Memorial da Paz de Hiroshima, local emblemático do primeiro ataque atômico da história. A organização, que reúne os hibakushas (sobreviventes das bombas), foi recentemente agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2024, dando novo fôlego e visibilidade internacional à sua causa histórica.
A questão do tempo torna-se cada vez mais urgente para Hiroshima. Este dilema é silenciosamente medido em uma estrutura de granito não muito longe do marco zero e da Cúpula da Bomba Atômica. Conhecido como o Relógio da Paz, ele consiste em dois contadores digitais embutidos em um pilar de granito no Museu Memorial da Paz de Hiroshima. Ambos os números continuam a subir. Instalado em 2001, o Relógio da Paz foi concebido não como um memorial do passado, mas como uma medida do tempo que avança. Ele conecta silenciosamente a destruição de Hiroshima à ameaça iminente das armas nucleares no presente, enquanto a geração de sobreviventes diretos diminui.
O tratado, que proíbe categoricamente o desenvolvimento, teste, produção, aquisição, posse e ameaça de uso de armas nucleares, entrou em vigor internacionalmente, mas carece da adesão de nações nucleares e de aliadas como o Japão. A pressão da Nihon Hidankyo visa mudar essa posição, argumentando que o país, único a sofrer ataques atômicos em guerra, tem uma responsabilidade moral única de liderar o movimento pela abolição global dessas armas. A petição busca transformar a dor histórica em ação política concreta.
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