Líder oposicionista entrega medalha do Nobel da Paz a Donald Trump
Gestão política da Venezuela pós-Maduro permanece ponto de tensão
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, apresentou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro na Casa Branca. O gesto, descrito por Machado como um símbolo de gratidão pelo apoio à liberdade de seu país, foi aceito por Trump, que o chamou de “maravilhoso gesto de respeito mútuo”. A reunião ocorreu semanas após uma operação militar dos EUA que resultou na captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Em suas declarações, Machado justificou a entrega da medalha como um reconhecimento ao “compromisso único” de Trump com a liberdade da Venezuela. Ela comparou o ato a um evento histórico de 1825, quando o Marquês de Lafayette enviou uma medalha com a imagem de George Washington ao libertador sul-americano Simón Bolívar. A medalha de Trump foi apresentada em uma moldura dourada, com uma dedicatória que a descrevia como um “símbolo pessoal de gratidão em nome do povo venezuelano”.
Entretanto, o Comitê Norueguês do Nobel e a Fundação Nobel emitiram um comunicado oficial deixando claro que, apesar de a medalha física poder mudar de mãos, o título de laureado com o Prêmio Nobel da Paz é “inseparável do laureado original” e não pode ser transferido, compartilhado ou revogado. “Uma vez anunciado, o Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido para outros. A decisão é final e vale para sempre”, afirmou a instituição.
A situação política na Venezuela permanece complexa. Apesar do gesto e de ter sido reconhecida como vencedora das disputadas eleições de 2024, Machado não obteve de Trump uma promessa de apoio para liderar a transição política do país. O presidente americano afirmou publicamente que a líder oposicionista “não tem o apoio ou o respeito dentro do país” para assumir o poder. Em vez disso, a administração Trump tem trabalhado com a presidente interina Delcy Rodríguez, que era vice-presidente de Maduro e assumiu o cargo após sua captura.
María Corina Machado recebeu o Nobel da Paz em 2025 por sua “luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia” na Venezuela. Para receber o prêmio em Oslo, ela arriscou a própria vida, desafiando uma proibição de viagem imposta pelo governo Maduro e escapando do país de forma clandestina. Seu retorno à Venezuela após a cerimônia também foi considerado perigoso.
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