Aliança Centrista desafia previsões em eleição japonesa
Ex-premiê Yoshihiko Noda lidera nova força opositora que promete zerar imposto sobre comida
Enquanto analistas especulam sobre a imprevisibilidade das eleições para a Câmara Baixa do Japão em 8 de fevereiro, uma nova força política emerge como protagonista do pleito. A Aliança Centrista (CRA), formada pela fusão do Partido Democrático Constitucional (CDP) e do Komeito, surge como a maior agremiação de oposição com 172 assentos, desafiando a hegemonia do Partido Liberal Democrático (PLD) no governo.
A nova formação foi anunciada em janeiro de 2026 como uma fusão centrista, após o Komeito encerrar sua coalizão de 26 anos com o PLD em outubro de 2025. A aliança é co-liderada pelo ex-primeiro-ministro Yoshihiko Noda, do CDP, e por Tetsuo Saito, do Komeito, com os ex-secretários-gerais Jun Azumi e Hiromasa Nakano atuando como co-secretários-gerais.
O partido estabeleceu cinco pilares políticos principais: crescimento econômico sustentável, um novo modelo de seguridade social, uma sociedade inclusiva com igualdade de gênero, políticas externas e de defesa realistas centradas na aliança Japão-EUA, e reformas políticas constantes incluindo transparência nos fundos partidários. Uma de suas propostas mais ousadas é a redução permanente do imposto sobre consumo para alimentos a zero, compensando a perda de receita com a criação de um fundo soberano.
Yoshihiko Noda, de 68 anos, traz experiência única à liderança da nova aliança. Como primeiro-ministro entre 2011 e 2012, ele enfrentou a reconstrução pós-terremoto e tsunami que devastaram o nordeste do Japão e provocaram o desastre nuclear de Fukushima. Durante seu mandato, ele implementou uma polêmica elevação do imposto sobre consumo de 5% para 10% em 2012, medida que contribuiu para sua derrota eleitoral posterior.
Nascido em Funabashi, filho de um paraquedista das Forças de Autodefesa, Noda formou-se na Universidade de Waseda em 1980 e iniciou sua carreira política na assembleia da prefectura de Chiba em 1987. Eleito para a Câmara dos Representantes em 1993, serviu como ministro das Finanças antes de assumir como primeiro-ministro. Seu estilo reservado e discurso nacionalista sobre questões como o santuário de Yasukuni e as ilhas Senkaku marcaram sua trajetória política.
A formação da Aliança Centrista representa uma reconfiguração significativa do cenário político japonês. O partido se posiciona como alternativa centrista ao governo conservador da primeira-ministra Sanae Takaichi, prometendo políticas que priorizem as pessoas comuns. Em um discurso recente, Noda caracterizou a eleição como uma disputa entre “eu primeiro” versus “pessoas primeiro”, posicionando sua aliança como defensora dos cidadãos contra o que descreve como políticas elitistas do governo atual.
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