Construindo a infraestrutura para a era da Inteligência Artificial
Lições do passado vitoriano mostram a importância de planejar com décadas de antecedência para as necessidades tecnológicas futuras
Assim como os engenheiros vitorianos construíram sistemas de metrô e esgoto que duram séculos, os governos de hoje precisam adotar uma visão de longo prazo para investir na infraestrutura da era digital. A mudança crucial está no escopo: além de estradas e pontes, é fundamental investir estrategicamente em ativos intangíveis, como software, redes de dados e capacidade computacional, que se tornaram tão vitais para a economia moderna quanto a infraestrutura física tradicional.
Em cidades do Reino Unido, como Londres e Glasgow, muito da infraestrutura do final da era vitoriana permanece em uso, um testemunho do planejamento antecipado daquela época. Um exemplo marcante é o sistema de esgoto de Londres, projetado por Joseph Bazalgette após a Grande Fedor de 1858. Ele foi construído com uma perspectiva de 150 anos e só agora está passando por uma expansão significativa.
Hoje, uma dinâmica semelhante se desenrola. Tecnologias como banda larga, redes móveis e data centers são a espinha dorsal da vida cotidiana e do crescimento econômico. A integração de novas camadas digitais sobre a infraestrutura física existente é um desafio central para os formuladores de políticas. O argumento é que, para realmente apoiar o desenvolvimento econômico na era da inteligência artificial, a definição e o financiamento de infraestrutura devem evoluir para incluir explicitamente esses componentes digitais e de dados.
O investimento público estratégico não se trata apenas de hardware, mas de criar os alicerces sobre os quais a inovação do setor privado pode florescer. Isso requer um planejamento que olhe décadas à frente, antecipando as necessidades de uma economia cada vez mais baseada em conhecimento e dados, garantindo que as bases para o futuro sejam lançadas hoje.
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