Jovens revitalizam cafés tradicionais kissaten em Tóquio com toque retro
Estabelecimentos que floresceram no século XX ganham nova vida nas mãos de empreendedores e na era digital
No coração da movimentada Kabukicho, em Shinjuku, um fenômeno cultural está reconquistando espaço. O 27 Kissa, um café que ocupa o antigo endereço do cabaré “Hinomaru”, é um exemplo vivo do renascimento dos kissaten, os tradicionais cafés japoneses. Durante o dia, serve como um refúgio retro; à noite, transforma-se em um clube. Essa dualidade captura perfeitamente como uma nova geração de proprietários está reinterpretando um ícone do passado para o público contemporâneo, mantendo viva uma tradição que estava em declínio.
O interior do 27 Kissa é uma viagem no tempo. O neon em forma de sol nascente, herança do antigo cabaré que funcionou no local por décadas a partir de 1974, domina o espaço junto com o tapete vermelho vintage e os sofás azuis semicirculares, criando uma atmosfera fotogênica que remete à era Showa. O conceito e o menu do estabelecimento foram desenvolvidos pela influenciadora Oitsuki Mika, que incorporou elementos de sua experiência bicultural, incluindo uma parceria com a marca Oreo.
O menu é uma atração à parte, projetado para ser compartilhado nas redes sociais. Destaques incluem o “27 Club Soda”, um refresco alcoólico colorido, o “Kuro no Omurice” (omelete de arroz preto, com corante de bambu) e criações com Oreo, como o “Orera no Oreo Parfait”. Para o café, essência de qualquer kissaten, a casa utiliza grãos especiais da renomada torrefação Sarutahiko Coffee, de Ebisu.
Este ressurgimento não é um caso isolado. Os kissaten, que chegaram a somar mais de 150 mil estabelecimentos no país nos anos 1970, enfrentaram um forte declínio nas décadas seguintes, pressionados pela expansão de redes internacionais de café e pelo envelhecimento dos proprietários. No entanto, nos últimos anos, tornaram-se foco de uma onda de nostalgia pela era Showa, impulsionada por uma geração mais jovem que os vê como destinos retrô e autênticos.
As redes sociais desempenham um papel fundamental nesse revival. Fotos de parfaits decadentes, sodas cremosas de melão e interiores únicos inundam o Instagram e outras plataformas. Hashtags como #junkissa acumulam cerca de um milhão de postagens, transformando a visita a esses cafés em um conteúdo desejável e um ritual para a juventude urbana. Esse fenômeno digital ajudou a reposicionar os kissaten, que antes podiam ser vistos como ultrapassados, como espaços cheios de estilo e emocionais.
Além dos cafés clássicos, conhecidos como *jun-kissa*, outras variações também atraem públicos específicos. Os *jazz kissa*, onde a música é a atração principal, e as cafeterias que torram seus próprios grãos no local são subgêneros que continuam a prosperar, especialmente em distritos como Shinjuku e Jimbocho. Esses espaços históricos, que já serviram como refúgios para estudantes, intelectuais e amantes de música, agora são redescobertos como oásis de calma e autenticidade em uma cidade frenética.
O sucesso do 27 Kissa e de outros empreendimentos similares mostra que o futuro dos kissaten pode não estar apenas na preservação, mas na adaptação. Ao fundir a estética e a filosofia de serviço tradicional com conceitos modernos de gastronomia e experiência do cliente, esses novos negócios estão escrevendo o próximo capítulo de uma história centenária do café japonês, garantindo que a cultura do kissaten continue a fazer parte do tecido urbano de Tóquio.
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