Ataque russo corta energia em Kiev e ameaça segurança nuclear durante inverno rigoroso
Ofensiva aérea deixa milhares sem aquecimento em temperaturas abaixo de -14°C e afeta infraestrutura crítica
Um massivo ataque aéreo russo contra a infraestrutura energética ucraniana na madrugada desta terça-feira deixou milhares de residentes da capital Kiev sem eletricidade, aquecimento e água, em meio a uma das ondas de frio mais rigorosas dos últimos anos. O bombardeio, que utilizou centenas de drones e dezenas de mísseis, também atingiu subestações críticas para a segurança nuclear, interrompendo o fornecimento de energia externa para a usina de Chernobyl e elevando os temores de um acidente nuclear.
De acordo com o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, o ataque deixou 5.635 edificios residenciais sem calefação, afetando quase metade da capital. Cerca de 80% desses prédios eram locais onde o fornecimento de calor havia sido restaurado após um ataque anterior ocorrido em 9 de janeiro. A margem esquerda do rio Dniepre, que divide a cidade, ficou praticamente sem abastecimento de água devido aos danos na infraestrutura. As temperaturas na cidade oscilavam entre -12°C e -14°C no momento dos ataques.
A Agência Internacional de Energia Atômica informou que várias subestações elétricas ucranianas, vitais para a manutenção da segurança nuclear, foram afetadas. A usina de Chernobyl, palco do pior desastre nuclear civil da história, sofreu uma interrupção total no fornecimento de energia externa. Embora seus reatores estejam desativados, a eletricidade é essencial para sistemas de resfriamento e monitoramento. A Ucrânia obtém mais da metade de sua eletricidade a partir da energia nuclear, tornando os ataques à rede elétrica uma ameaça de dupla dimensão.
Além dos danos em Kiev, ataques foram registrados em pelo menos sete outras regiões do país, incluindo Odessa, Rivne e Vinnytsia. Nas regiões de Zaporizhzhia e Kiev, os bombardeios resultaram na morte de pelo menos quatro pessoas. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que chegou a ponderar cancelar sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos para lidar com a crise, alertou que a Rússia está usando o risco de um desastre nuclear como ferramenta de coerção. O ministro das Relações Exteriores, Andriy Sybiga, classificou a ação como uma “guerra genocida” e pediu apoio urgente dos aliados.
Este é o terceiro grande ataque russo contra a infraestrutura energética de Kiev desde o início do ano, em uma campanha de inverno que, segundo as autoridades ucranianas, visa exaurir a resistência do país durante o frio extremo. Enquanto isso, avanços diplomáticos são discutidos, com o presidente dos EUA, Donald Trump, convidando tanto o líder russo, Vladimir Putin, quanto Zelensky para um “Conselho da Paz”. O Tribunal Penal Internacional já emitiu mandados de prisão contra dois altos comandantes militares russos por ataques anteriores à rede energética, atos que classifica como crimes de guerra.
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