Ofensiva russa e diplomacia marcam véspera de encontro crucial na Flórida

Rússia ataca Kharkiv antes de reunião Zelensky-Trump sobre plano de paz

Ofensiva militar e guerra de narrativas intensificam pressão sobre negociações

Um ataque russo com bombas aéreas guiadas atingiu uma das vias mais movimentadas de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, resultando em mortos, feridos e destruição de veículos e edifícios residenciais. O ataque, que não tinha alvos militares na área, ocorre na véspera de uma reunião crucial entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para domingo na Flórida, para discutir novas propostas de paz.

De acordo com o governador da região de Kharkiv, Oleh Syniehubov, o ataque de 26 de dezembro matou duas pessoas e deixou pelo menos oito feridas, incluindo uma bebê de nove meses. As vítimas fatais foram identificadas como dois homens, de 55 e 40 anos. O prefeito de Kharkiv, Ihor Terekhov, relatou que uma das bombas atingiu uma estrada central da cidade, incendiando veículos e danificando janelas de prédios próximos. Autoridades de emergência estão no local para avaliar os danos e prestar assistência.

O encontro entre Zelensky e Trump visa discutir os termos sensíveis de um plano de paz de 20 pontos, reformulado após consultas com Kiev. O documento, cujos detalhes foram revelados pelo presidente ucraniano, propõe o congelamento da guerra na atual linha de frente, mas não oferece uma solução imediata para as reivindicações territoriais russas. O plano permitiria que a Ucrânia mantivesse seu exército em plena capacidade e não a obrigaria a reconhecer os territórios ocupados como russos, pontos que haviam sido exigidos por Moscou.

Em meio aos esforços diplomáticos, a Rússia mantém uma postura agressiva. Na quarta-feira, o presidente Vladimir Putin alertou que Moscou buscará expandir seus ganhos na Ucrânia se Kiev e seus aliados ocidentais rejeitarem suas exigências. Putin afirmou que o exército russo mantém a iniciativa estratégica e está pronto para expandir uma “zona de segurança” ao longo da fronteira. No entanto, analistas contestam parte das alegações territoriais recentes feitas pelo Kremlin, destacando uma guerra de narrativas em curso.

Um exemplo emblemático é a cidade de Kupiansk, na região de Kharkiv. Enquanto a Rússia alegava tê-la conquistado totalmente, a visita do presidente Zelensky à localidade em 12 de dezembro e relatos de analistas militares independentes indicam que as forças ucranianos retomaram o controle de uma parte significativa da cidade. Este episódio expõe a discrepância entre a propaganda russa e a situação real no terreno, com Moscou tentando manter uma narrativa de vantagem para pressionar por um acordo de paz favorável.

O plano de paz que será discutido por Zelensky e Trump também inclui a promessa de mobilizar 800 bilhões de dólares para a reconstrução da Ucrânia e prevê garantias de segurança para Kiev. Enquanto isso, a guerra continua em múltiplas frentes. Além dos ataques terrestres, Ucrânia e Rússia trocam ataques de longo alcance contra infraestrutura crítica. A Ucrânia tem visado refinarias e plataformas de petróleo russas para prejudicar a economia de guerra do adversário, enquanto a Rússia mantém bombardeios regulares contra a rede elétrica e áreas civis ucranianas.

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