Crise de natalidade atinge vilas remotas de Okinawa; uma registra zero nascimentos em 2023
Oito comunidades insulares da prefeitura tiveram menos de dez partos no ano passado, refletindo o agravamento do declínio e envelhecimento populacional em regiões isoladas
Um retrato alarmante da despovoação e do envelhecimento nas ilhas remotas do Japão surgiu com dados recentes: em 2023, oito vilas da província de Okinawa registraram menos de dez nascimentos cada. O caso mais extremo é o da vila de Tonaki, que não contabilizou nenhum nascimento no período. A vizinha Tokashiki teve apenas um parto, enquanto Izena e Tarama registraram dois nascimentos cada.
Essas vilas estão localizadas em pequenas ilhas que, apesar da beleza natural e do rico patrimônio cultural, enfrentam desafios demográficos profundos. A vila de Tokashiki, por exemplo, situada nas Ilhas Kerama, tinha uma população de apenas 718 residentes em 2020. Desse total, 146 pessoas (ou mais de 20%) tinham 65 anos ou mais, enquanto apenas 138 eram menores de 18 anos, um quadro que ilustra a estreita base da pirâmide etária. Em contraste, a província de Okinawa como um todo possui uma população significativa, estimada em cerca de 1,47 milhão de pessoas.
Já a ilha de Tonaki, descrita como uma “jóia remota” que preserva a arquitetura tradicional de telhas vermelhas de Okinawa, tem uma população estimada em apenas algumas centenas de habitantes. O acesso é feito majoritariamente por balsa, e a infraestrutura para turismo é mínima, com apenas algumas hospedagens familiares. Esse isolamento, combinado com a migração de jovens para centros urbanos em busca de educação e emprego, cria um ciclo vicioso que dificulta a reversão da tendência de declínio populacional.
As consequências vão além dos números. A diminuição crítica de crianças ameaça a viabilidade de escolas locais, a vitalidade das tradições comunitárias e o próprio futuro dessas comunidades insulares como entidades vivas. Enquanto Okinawa busca equilibrar a preservação de sua identidade única com o desenvolvimento econômico, o destino dessas oito vilas serve como um alerta sobre os limites do Japão para conter o esvaziamento de suas áreas mais remotas.
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