ONU condena captura de Maduro por EUA e alerta para risco à ordem global

ONU classifica operação dos EUA na Venezuela como violação clara do direito internacional

Captura de Maduro em Caracas gera condenação global e acende alerta sobre soberania e estabilidade regional

A Organização das Nações Unidas afirmou que a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, violou de forma clara um princípio fundamental do direito internacional. A declaração foi dada pela porta-voz de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani, que citou o artigo da Carta das Nações Unidas que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

A operação, batizada de “Determinação Absoluta”, foi executada na madrugada do último sábado e envolveu cerca de 150 aeronaves, incluindo bombardeiros, caças e helicópteros que transportavam tropas de elite. Explosões foram registradas em várias instalações em Caracas, como a Base Aérea La Carlota e o porto de La Guaira. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em seu complexo residencial e posteriormente transportados para os Estados Unidos a bordo do navio USS Iwo Jima.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos manifestou profunda preocupação, afirmando que a prestação de contas por violações de direitos humanos não pode ser alcançada por uma intervenção militar unilateral que fere o direito internacional. A União Europeia, em comunicado apoiado por 26 Estados-membros, também fez um apelo pela moderação, lembrando a obrigação de todos os atores de respeitarem a Carta da ONU.

Em Nova York, Maduro compareceu a uma audiência judicial, declarou-se inocente das acusações de narcoterrorismo e se autodenominou um “prisioneiro de guerra”. Enquanto isso, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina da Venezuela após decisão do Tribunal Supremo de Justiça do país e recebeu o apoio das Forças Armadas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a nova líder venezuelana está cooperando com Washington.

A ação norte-americana gerou uma onda de repúdio internacional. Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia foram contundentes em suas críticas. Líderes regionais, como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificaram a operação como um “precedente extremamente perigoso”. Analistas alertam que a intervenção aumenta a incerteza geopolítica, pode elevar os prêmios de risco para mercados emergentes e afetar setores como energia e infraestrutura.

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