Operação militar dos EUA na Venezuela é seguida por declarações expansionistas.

Após operação na Venezuela, Trump volta a cobiçar a Groenlândia e adverte Cuba

Captura de Maduro em ação militar ousada é seguida por declarações que ampliam tensões geopolíticas

Um dia após uma audaciosa operação militar norte-americana na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, renovou seus apelos para uma tomada do território dinamarquês da Groenlândia. Paralelamente, seu principal diplomata declarou que o governo comunista de Cuba está “com muitos problemas”. As declarações ampliam a crise geopolítica desencadeada pela ação militar e geram alarme entre aliados e na região.

A operação militar, batizada de “Resolução Absoluta”, ocorreu na madrugada do dia 3 de janeiro. Envolveu ataques aéreos, explosões e movimentações de forças especiais em Caracas e arredores, resultando na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram transportados para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações federais por narcoterrorismo. A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, assumiu interinamente o governo e denunciou a ação como uma agressão e uma violação da soberania nacional.

A ação recebeu ampla condenação internacional. Países latino-americanos como Brasil, Chile, Colômbia e México, além de nações europeias, emitiram um comunicado conjunto rejeitando as “ações unilaterais dos EUA no território venezuelano”, classificando-as como um “precedente muito perigoso”. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou profunda preocupação, afirmando que os eventos na Venezuela constituem um “precedente perigoso” e que as regras do direito internacional não foram respeitadas.

No domingo, ao retornar da Flórida, Trump justificou o interesse na Groenlândia alegando razões de segurança nacional. “É tão estratégico agora. A Groenlândia está coberta por navios russos e chineses por toda parte. Nós precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional, e a Dinamarca não será capaz de fazê-lo”, afirmou. Esta não é a primeira vez que Trump manifesta interesse no território ártico, rico em minerais e de grande valor estratégico.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu de forma contundente, afirmando que “não faz absolutamente nenhum sentido” falar sobre os EUA precisarem tomar a Groenlândia e que os Estados Unidos “não têm o direito de anexar” nenhum dos países do reino dinamarquês. Ela instou Trump a “parar de ameaçar um aliado historicamente próximo”. A tensão foi amplificada por uma publicação nas redes sociais de uma ex-assessora de Trump mostrando um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira dos EUA e a legenda “EM BREVE”.

Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, direcionou advertências a Cuba, um dos principais aliados da Venezuela. Rubio afirmou que foram guarda-costas cubanos que protegiam Maduro no momento da captura e que “muitos” deles foram mortos na operação. Ele declarou que o governo cubano está “com muitos problemas”, citando a economia fragilizada da ilha, que deve sofrer ainda mais com a queda de Maduro, seu fornecedor de petróleo subsidiado. Autoridades cubanas já condenaram a operação militar e alertaram que a ameaça norteamericana paira sobre toda a região.

O contexto cubano é de profunda crise econômica, agravada por sanções dos EUA e pela perda de apoio da Venezuela. A ilha enfrenta uma grave escassez de alimentos e medicamentos, colapso parcial da rede elétrica e um êxodo populacional massivo. As declarações de Rubio são vistas como uma escalada na já tensa relação entre Washington e Havana.

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