Operação militar dos EUA captura Nicolás Maduro e envia mensagem à China
Ex-presidente da Venezuela aguarda julgamento em Nova Iorque por acusações de narcoterrorismo, em movimento que redefine a política externa americana para o hemisfério
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cília Flores, estão sob custódia dos Estados Unidos aguardando julgamento em um tribunal federal de Nova Iorque. Eles foram capturados durante uma operação militar complexa em Caracas no último dia 3 de janeiro e enfrentam acusações de conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína. A ação, denominada “Operação Resolução Absoluta”, envolveu mais de 150 aeronaves e unidades de elite como o Delta Force, resultando na primeira captura de um chefe de estado estrangeiro por forças americanas em décadas.
Presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos vão “administrar o país até que possamos fazer uma transição segura, apropriada e criteriosa”. O Secretário de Estado Marco Rubio foi claro ao afirmar que a ação também visa impedir que o Hemisfério Ocidental se torne uma “base de operações para adversários, competidores e rivais dos Estados Unidos”, em uma referência direta à China. Analistas interpretam o movimento como a estreia de uma nova doutrina de política externa, um revival da Doutrina Monroe do século XIX, que estabelece a hegemonia americana nas Américas.
A reação internacional foi de forte condenação. A China, principal parceira econômica da Venezuela, emitiu um comunicado “profundamente chocado e condenando veementemente” o uso da força contra um estado soberano. Rússia e Irã também repudiaram a ação, enquanto líderes latino-americanos, como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, a classificaram como uma violação grave do direito internacional e um precedente perigoso.
Controle do petróleo e cautela das empresas são os próximos capítulos
Com as maiores reservas de petróleo comprovadas do mundo, o futuro da Venezuela está intrinsecamente ligado ao seu setor energético. Trump já se reuniu com executivos das maiores petrolíferas americanas, solicitando um investimento inicial de US$ 100 bilhões para reconstruir a infraestrutura deteriorada do país. No entanto, a resposta das empresas foi cautelosa. Darren Woods, CEO da ExxonMobil, declarou que o país é atualmente “não investível”, lembrando que a empresa teve seus ativos expropriados duas vezes no passado.
Paralelamente, os EUA impuseram um bloqueio naval a petroleiros sancionados que tentam transportar petróleo venezuelano, uma medida que já fez as exportações do produto paralisarem. Autoridades americanas planejam vender o petróleo apreendido no mercado global, depositando os recursos em contas controladas pelos EUA até que deem sinal verde para sua repatriação à Venezuela.
Enquanto isso, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do país após uma decisão do Supremo Tribunal venezuelano. Sob pressão americana, seu governo anunciou a libertação de “um número significativo” de presos políticos, incluindo opositores e cidadãos estrangeiros. O cenário político permanece em fluxo, com a oposição venezuelana buscando espaço em meio à administração interina e à supervisão americana.
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