Orçamento japonês de 2026 prevê aumento de 3,09% em serviços médicos e corte no preço de remédios

Japão define orçamento recorde com foco em saúde e aumento histórico de taxas médicas

Medidas para 2026 incluem primeira alta acima de 3% nos valores dos serviços de saúde em trinta anos, enquanto preços de medicamentos terão redução

O governo japonês aprovou nesta sexta-feira (26) um projeto de orçamento inicial recorde para o ano fiscal de 2026, que começa em abril. O valor total de 122,3 trilhões de ienes (cerca de 780 bilhões de dólares) é o maior da história e prioriza as crescentes despesas com seguridade social, que devem consumir 39 trilhões de ienes, também um recorde, refletindo o envelhecimento da população e a alta nos custos médicos e de cuidados.

Um dos pontos centrais do orçamento é a revisão das tarifas do sistema público de saúde. Para 2026, o governo planeja reduzir os preços oficiais dos medicamentos em 0,87%, mas aumentar as taxas gerais de serviços médicos em 2,22%. A parte principal dessas taxas, que cobre principalmente os custos com profissionais de saúde, terá um aumento médio de 3,09% ao longo do período, marcando a primeira alta acima de 3% em trinta anos. Desse percentual, 1,7 ponto percentual está especificamente destinado a garantir melhorias salariais para os trabalhadores da área.

O aumento nas tarifas médicas, o primeiro em doze anos, gera debates sobre o peso da geração ativa. Enquanto o governo busca compensar a alta de custos hospitalares e melhorar salários, seis importantes entidades representativas dos pagadores de seguros de saúde, incluindo sindicatos e associações empresariais, já pediram que a revisão não seja um simples aumento geral. Elas defendem uma redistribuição de recursos dentro do sistema, transferindo parte do orçamento de clínicas e farmácias para os hospitais, que enfrentam pior situação financeira, com muitos operando no vermelho.

O contexto para as mudanças é de inflação persistente e aumento dos custos de energia e materiais, que pressionam os hospitais. Paralelamente à revisão de valores, o governo promove políticas para otimizar o sistema, como o incentivo à digitalização da saúde, o fortalecimento dos cuidados domiciliares para uma população que envelhece e medidas para corrigir a má distribuição de médicos pelo país.

O projeto orçamentário ainda precisa ser submetido e aprovado pelo Parlamento japonês, cuja sessão ordinária começa no início de 2026. A expectativa do governo é que a tramitação ocorra sem grandes contratempos.

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