Na China, famílias buscam no ensino domiciliar uma juventude mais livre
Preocupação com currículo rígido e a era da inteligência artificial motiva mudança
Estella, de 14 anos, passa seus dias de semana estudando espanhol, praticando escalada ou aprendendo acupuntura em sua sala de estar. A rotina faz parte da educação domiciliar que ela recebe desde que saiu do exigente sistema público de ensino da China. Seus pais a retiraram da escola em Xangai há três anos, preocupados com a dificuldade de acompanhar um currículo que, acreditam, se tornará obsoleto na era da inteligência artificial.
Eles integram um grupo ainda pequeno de famílias chinesas que estão repensando o rigoroso sistema educacional do país, onde os dias na escola podem durar até 10 horas e os estudantes frequentemente trabalham até tarde com aulas extras e tarefas de casa. Este movimento busca oferecer uma formação mais personalizada e voltada para habilidades do futuro, em contraste com a pressão por resultados em exames padronizados.
A opção pelo homeschooling, contudo, não é isenta de desafios. Além de enfrentar a desconfiança social por abandonar um caminho considerado tradicional, as famílias precisam estruturar todo o conteúdo pedagógico e garantir a socialização dos filhos, aspectos normalmente cobertos pela escola formal. Ainda assim, para pais como os de Estella, a possibilidade de um desenvolvimento mais criativo e menos estressante para os filhos justifica a escolha por um caminho alternativo.
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