EUA convocam cúpula do G7 para discutir dependência global de terras raras chinesas
Encontro em Washington busca estratégias coletivas para diversificar fontes de minerais críticos, enquanto tensões geopolíticas com a Pequim se intensificam
Os Estados Unidos recebem, nesta semana, uma reunião de ministros do Grupo dos Sete (G7) dedicada a um dos temas de segurança econômica mais urgentes do momento: a dependência global das terras raras controladas pela China. O encontro, que deve incluir também autoridades de países convidados como Austrália, Coreia do Sul, Índia, México e da União Europeia, tem como objetivo central discutir cadeias de suprimentos para minerais críticos e buscar alternativas ao domínio quase absoluto que Pequim exerce sobre esse mercado estratégico.
A convocação da cúpula ganha contornos de maior urgência diante de uma recente escalada nas tensões entre China e Japão. O governo chinês, através de seu Ministério do Comércio, anunciou no início de janeiro o fortalecimento dos controles de exportação para o Japão de itens de “dupla utilização” (civil e militar), citando como motivo “declarações errôneas” de líderes japoneses sobre Taiwan. Fontes do setor indicam que Pequim está considerando, especificamente, apertar os critérios para as licenças de exportação de terras raras médias e pesadas destinadas ao Japão.
Essa não é a primeira vez que a China utiliza seu domínio no setor como ferramenta de pressão geopolítica. Em 2025, em resposta a tarifas impostas pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump, Pequim introduziu duas ondas de controles à exportação de elementos de terras raras. A segunda leva de restrições, que daria à legislação chinesa um alcance extraterritorial sem precedentes, foi suspensa até novembro de 2026. A medida afetou cadeias de suprimentos em todo o mundo, com a União Europeia, por exemplo, registrando preços até seis vezes maiores para alguns desses minerais.
O domínio chinês é avassalador: o país controla cerca de 60% da produção global de terras raras e 90% do seu refino, sendo a fonte de 98% dos ímãs de terras raras que a UE utiliza. No caso do Japão, a dependência é ainda mais crítica em certos elementos, como disprósio e térbio, usados em ímãs de motores para veículos elétricos, onde a dependência chega a quase 100%. Um estudo do Nomura Research Institute estima que, se restrições chinesas ao Japão durassem um ano, as perdas poderiam atingir 2,6 trilhões de ienes, reduzindo o PIB real do país em aproximadamente 0,43%.
Paralelamente às tensões com Tóquio, Washington e Pequim parecem trilhar um caminho de diálogo em sua própria relação comercial. Autoridades dos dois países chegaram a um acordo em 2025 para agilizar o envio de terras raras da China para os Estados Unidos, após negociações em Genebra. O entendimento visava reverter restrições não tarifárias impostas por Pequim em retaliação às tarifas americanas.
Enquanto isso, outras potências correm para reduzir sua vulnerabilidade. Na Europa, um projeto emblemático é a mina de Per Geijer, no extremo norte da Suécia, operada pela estatal LKAB. Em condições árticas extremas, equipes trabalham para conectar essa que é uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do continente à infraestrutura existente de mineração de ferro. A meta é começar uma produção incremental, embora especialistas alertem que construir uma cadeia de suprimentos completa, da mineração ao produto refinado, pode levar de 10 a 15 anos.
A reunião do G7, portanto, acontece em um momento de bifurcação estratégica. De um lado, a ameaça concreta de novas restrições chinesas contra um de seus membros, o Japão, expõe a vulnerabilidade militar e industrial do bloco. De outro, os esforços para criar alternativas, como os projetos europeus e o acordo comercial bilateral EUA-China, mostram que a busca por resiliência e a negociação diplomática caminham simultaneamente. O resultado desses movimentos definirá a segurança das cadeias de suprimentos de alta tecnologia para a próxima década.
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