Países do G7 buscam alternativas à China para minerais essenciais à tecnologia e defesa

G7 busca reduzir urgentemente dependência da China em minerais críticos

Ministros das Finanças do grupo e aliados concordam em acelerar diversificação de fontes de terras raras e outros minerais estratégicos

Em uma reunião realizada em Washington nesta segunda-feira, os ministros das Finanças do G7 chegaram a um acordo para reduzir rapidamente a dependência de seus países em relação à China para o fornecimento de minerais críticos. A reunião, convocada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, contou com a presença de representantes das sete maiores economias avançadas, além de autoridades da União Europeia, Austrália, México, Coreia do Sul e Índia.

A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, confirmou que houve um acordo amplo sobre a necessidade de agir com rapidez. Ela delineou uma abordagem política de curto, médio e longo prazo para o G7 e países aliados reforçarem o fornecimento de terras raras de fontes não chinesas. Essas medidas incluem a criação de mercados baseados em padrões como respeito às condições de trabalho e direitos humanos, além do uso de ferramentas como apoio de instituições financeiras públicas, incentivos fiscais, medidas comerciais e a definição de preços mínimos.

A urgência do tema é reforçada pelo domínio chinês sobre a cadeia de suprimentos global. A China responde pelo refinamento de 47% a 87% de minerais essenciais como cobre, lítio, cobalto, grafite e terras raras, segundo a Agência Internacional de Energia. Esses materiais são fundamentais para tecnologias de defesa, semicondutores, baterias para veículos elétricos e componentes de energia renovável. Recentemente, a China endureceu os controles de exportação de alguns desses minerais, especialmente para o Japão.

Este movimento se baseia em compromissos anteriores do grupo. No final de outubro, o G7 anunciou um pacote de US$ 6,4 bilhões em investimentos e parcerias para acelerar a produção e o processamento de minerais críticos no Ocidente, por meio da Aliança de Produção de Minerais Críticos. Projetos como o da Nouveau Monde Graphite, no Canadá, que contará com participação da Panasonic e do governo japonês, são exemplos concretos desta iniciativa.

Paralelamente, os Estados Unidos buscaram acordos bilaterais, como um projeto de US$ 8,5 bilhões com a Austrália para explorar as reservas de terras raras e lítio do país. O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, que também participou da reunião, destacou a necessidade de a Europa se tornar mais ativa no desenvolvimento de suas próprias fontes de matérias-primas, investindo também em reciclagem para reduzir a dependência.

Analistas observam, no entanto, que o domínio da China no setor é resultado de décadas de investimento em tecnologia e cadeias de produção integradas, o que torna a mudança uma tarefa complexa e de longo prazo para os países do G7.

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