Países planejam reunião em Washington para criar novas cadeias de suprimentos de minerais críticos

G7 e aliados buscam nova rota para minerais críticos e desafiam domínio chinês

Reunião ministerial em Washington visa criar regras internacionais e cadeias de suprimentos alternativas

Os países do G7, juntamente com várias nações ricas em recursos naturais, estão organizando um encontro de seus ministros das finanças para a semana começando em 12 de janeiro, em Washington, com um objetivo estratégico claro: discutir formas de garantir o fornecimento de minerais críticos e reduzir a dependência das cadeias de suprimentos dominadas pela China. O acordo para “reduzir dependências de fonte única” foi estabelecido em um encontro virtual realizado no início de dezembro, em uma referência indireta, mas clara, à hegemonia chinesa no setor.

As terras raras, essenciais para fabricar componentes de carros elétricos e semicondutores, exemplificam o desafio. A China é responsável por mais de 60% da produção mundial desses minerais e controla impressionantes 90% da capacidade global de refino. Essa posição dominante deixa as indústrias mundiais vulneráveis ao uso de controles de exportação como ferramenta de pressão geopolítica por parte do país. Além das questões estratégicas, a extração de baixo custo na China tem sido alvo de críticas por causar danos ambientais e explorar trabalhadores.

Diante desse cenário, o G7 pretende construir uma estrutura de cooperação com nações ricas em recursos, como Austrália e Chile, para assegurar de forma estável os minerais críticos. A reunião, que contará com a presença da ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, deve abordar a criação de regras internacionais para o processamento de terras raras. Do lado americano, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, que lidera as negociações comerciais com a China, demonstrou especial interesse em confrontar a posição dominante chinesa.

Esta iniciativa não é isolada. Sob a Presidência canadense do G7 em 2025, os ministros já haviam concordado em apoiar a expansão da Parceria RISE (Resilient and Inclusive Supply-chain Enhancement), liderada pelo Banco Mundial, justamente para fortalecer a integração de países em desenvolvimento nas cadeias de suprimentos de minerais críticos. O plano de ação do grupo para minerais críticos, estabelecido na Cúpula de Líderes em Kananaskis, no Canadá, em junho, agora avança para a fase operacional, com os ministros das finanças definindo os próximos passos concretos.

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