G7 e parceiros unem forças para enfrentar monopólio chinês em terras raras
Reunião ministerial em Washington discute urgência em diversificar fontes de minerais críticos para tecnologia e defesa
Em uma resposta coordenada ao controle chinês sobre recursos minerais estratégicos, os ministros das Finanças do G7 e de várias nações parceiras concordaram, em reunião realizada em Washington, em tomar medidas rápidas para fortalecer e diversificar as cadeias de suprimento de terras raras. O encontro, convocado pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, reuniu representantes do Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Estados Unidos e da União Europeia, além de autoridades de países como Austrália, Índia, Coreia do Sul e México, que juntos respondem por cerca de 60% da demanda global por esses minerais críticos.
O contexto imediato do encontro são os recentes controles rígidos impostos pela China sobre a exportação de terras raras para o Japão, uma medida que gerou temores de um impacto mais amplo nas economias ocidentais. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, que participou da reunião e realizou um encontro bilateral com Bessent, informou aos colegas que Tóquio já protestou formalmente junto a Pequim e pediu a revogação das restrições. Ela afirmou ainda que obteve o entendimento dos demais participantes sobre a necessidade de “reduzir rapidamente a dependência da China” no fornecimento desses insumos.
O domínio chinês sobre o setor é avassalador: o país é responsável por mais de 60% da produção global e por quase 90% do refino de terras raras e ímãs permanentes. Esses elementos são componentes ir substituíveis em uma vasta gama de tecnologias modernas, incluindo smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos de imagem e sistemas militares avançados, como caças e submarinos. A dependência extrema criou uma vulnerabilidade estratégica, evidenciada quando a China suspendeu exportações para o Japão em 2010 durante uma disputa territorial, causando pânico nos mercados globais.
Scott Bessent expressou otimismo de que as nações presentes buscarão uma “redução prudente de riscos” em vez de um desacoplamento total, mas enfatizou a necessidade urgente de remediar as deficiências atuais das cadeias de suprimentos, que se tornaram altamente concentradas e vulneráveis a manipulações. Em uma publicação na rede social X, ele destacou ter ouvido um “desejo forte e compartilhado de abordar rapidamente vulnerabilidades-chave nas cadeias de suprimentos de minerais críticos”.
Além de buscar a diversificação das fontes, os participantes discutiram a possibilidade de estabelecer preços mínimos para as terras raras, como forma de se proteger contra uma eventual inundação do mercado por excesso de oferta chinês. Os esforços internos dos EUA incluem o impulso à produção doméstica e a parcerias com produtores na Austrália e na Ucrânia. Um acordo bilateral entre Washington e Camberra, avaliado em 8,5 bilhões de dólares, busca explorar as reservas australianas de terras raras e lítio.
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