Parlamentares governistas pressionam por posição clara do Japão sobre intervenção dos EUA na Venezuela
Governo se abstém de avaliar legalidade de operação militar que capturou presidente Maduro
Legisladores do Partido Liberal Democrata (LDP), que governa o Japão, exigiram que o governo clarifique sua posição sobre os ataques militares realizados pelos Estados Unidos na Venezuela no início deste mês, que resultaram na captura do presidente Nicolás Maduro. O pedido foi formalizado durante uma reunião do partido na última sexta-feira, mas um oficial do Ministério das Relações Exteriores declinou fornecer uma avaliação jurídica sobre os ataques, afirmando que o governo prefere “não tirar conclusões precipitadas”.
Os ataques americanos, codinome “Operação Resolução Absoluta”, ocorreram em 3 de janeiro e envolveram bombardeios a infraestruturas no norte da Venezuela e uma operação terrestre em Caracas que capturou o presidente Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação resultou na morte de pelo menos 23 membros das forças de segurança venezuelanas, 32 cubanos e dois civis. O governo dos EUA justificou a operação como uma ação de aplicação da lei para trazer Maduro para ser julgado por acusações de narcoterrorismo, alegando que ele liderava uma organização traficante de drogas conhecida como Cartel dos Sóis.
A comunidade internacional reagiu com divisão. Enquanto aliados regionais dos EUA, como a Argentina, apoiaram a ação, nações como Rússia, Irã e Cuba condenaram veementemente a violação da soberania venezuelana. Especialistas em direito internacional e várias nações questionaram a legalidade da operação sob a Carta das Nações Unidas. No próprio Congresso americano, democratas criticaram a falta de autorização legislativa prévia para a ação militar. Em meio a este cenário global complexo, a posição oficial do Japão permanece ambígua.
Além da questão venezuelana, a reunião conjunta do LDP também abordou outras tensões na política externa, incluindo a proibição da China sobre exportações de bens de uso dual para o Japão e o desenvolvimento de campos de gás no Mar da China Oriental. Kei Takagi, chefe da Divisão de Assuntos Exteriores do LDP, declarou aos repórteres que tais ações chinesas “não são permitidas pela prática internacional”. A relutância do Ministério das Relações Exteriores em se pronunciar sobre a Venezuela contrasta com a postura mais assertiva adotada em relação às ações chinesas, refletindo os delicados equilíbrios da diplomacia japonesa.
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