Parlamento é dissolvido para eleição que definirá o mandato da premiê Takaichi

Japão convoca eleições gerais antecipadas para 8 de fevereiro

Premiê Sanae Takaichi dissolve a Câmara dos Representantes buscando consolidar seu governo de três meses

O Japão seguirá para as urnas no próximo dia 8 de fevereiro em uma eleição geral antecipada. A primeira-ministra, Sanae Takaichi, dissolveu a Câmara Baixa do Parlamento nesta sexta-feira, dia 23 de janeiro, em uma manobra política arriscada que visa transformar sua elevada popularidade pessoal em uma maioria sólida para seu partido. A campanha oficial terá início em 27 de janeiro, em uma corrida eleitoral curta e intensa que definirá o rumo político do país.

A eleição, originalmente prevista para outubro de 2028, ocorre pouco mais de três meses após Takaichi assumir o cargo como a primeira mulher a liderar o Japão. Em outubro de 2025, ela formou um governo de coalizão com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), após a ruptura da histórica aliança do seu Partido Liberal Democrata (PLD) com o Komeito. O atual governo mantém uma frágil maioria de apenas 233 cadeiras na Câmara, número mínimo necessário para governar entre os 465 assentos totais.

Em uma jogada de resposta à convocatória eleitoral, as principais forças de oposição se uniram. O Partido Democrático Constitucional do Japão (de centro-esquerda) e o Komeito (centrista) fundaram uma nova força chamada Aliança de Reforma Centrista. Esta nova coalizão se apresenta como uma alternativa moderada ao governo de direita de Takaichi, prometendo priorizar a economia e políticas sociais inclusivas.

A primeira-ministra justificou a decisão de convocar uma eleição antecipada como uma necessidade de obter um mandato claro do povo para realizar uma “mudança política fundamental”. Ela afirmou estar colocando seu cargo em jogo para que os cidadãos decidam se aprovam suas políticas de aumento do gasto público, fortalecimento da defesa e revisão das regras de imigração. A oposição, no entanto, critica a decisão, classificando-a como uma “dissolução que deixa a economia para trás”, pois adiará a aprovação do orçamento anual.

A eleição de fevereiro será incomum por ocorrer no rigoroso inverno japonês, o que pode afetar a participação dos eleitores, especialmente em regiões com forte nevasca. Além disso, marcará o fim de um mandato parlamentar excepcionalmente curto, de apenas 454 dias, para os membros da Câmara Baixa eleitos em 2024.

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