Partidos revisam políticas nucleares antes de votação decisiva para a Câmara Baixa

Política energética vira ponto central na eleição japonesa com revisão do nuclear

Quase 15 anos após Fukushima, partidos reavaliam papel da energia atômica em meio a promessas de reativação

As políticas de energia nuclear emergiram como um dos temas decisivos para as eleições da Câmara dos Representantes do Japão, marcadas para 8 de fevereiro de 2026. Quase 15 anos após o acidente de Fukushima, a posição dos partidos sobre a reativação dos reatores ociosos do país se tornou uma linha clara de divisão política, enquanto um recente escândalo de fraude de dados de risco sísmico na usina de Hamaoka, em Shizuoka, reacendeu as preocupações públicas com a segurança.

O panorama político sofreu uma reconfiguração significativa, com a primeira-ministra Sanae Takaichi liderando um governo de coalizão entre o Partido Liberal Democrata (PLD) e o Partido da Inovação do Japão, ambos defendendo explicitamente a reativação acelerada das usinas. O PLD promete em seu manifesto “reações de reativação” e o desenvolvimento de reatores de próxima geração, posição compartilhada pelo Partido da Inovação. A recente reativação do reator Nº 6 da usina de Kashiwazaki-Kariwa, em Niigata, em janeiro, é vista como um marco dessa política de “uso máximo” da energia nuclear.

No campo opositor, o espectro de posições é amplo. O recém-formado União de Reforma Centrista, uma fusão entre o Partido Democrático Constitucional e o Komeito, adotou uma postura condicional. Seu manifesto afirma que permitirá a reativação apenas para reatores onde a segurança seja confirmada, exista um plano de evacuação eficaz e haja consentimento local. Em contraste, partidos como o Partido Comunista Japonês e o Reiwa Shinsengum mantêm uma oposição firme, defendendo uma sociedade com zero usinas nucleares e a paralisação imediata das operações.

No terreno, o processo de reativação ganhou impulso concreto. O governador de Hokkaido, Naomichi Suzuki, anunciou no final de novembro seu apoio à reativação da Unidade 3 da usina de Tomari, afirmando que a energia nuclear é “uma opção realista que pode ser adotada por enquanto”. A Hokkaido Electric Power, operadora da usina, prevê que a reativação permitirá uma redução de cerca de 11% nas contas de luz das famílias. Paralelamente, o governador de Niigata também deu aval à retomada das operações em Kashiwazaki-Kariwa.

O governo nacional estabeleceu a meta de que a energia nuclear responda por 20% a 22% do mix elétrico do país até 2030, um aumento significativo em relação aos cerca de 8% atuais. Atingir esse objetivo exigirá a reativação da maioria dos 33 reatores operáveis do Japão. As autoridades argumentam que, além da estabilidade no fornecimento e da redução de custos, o impulso à energia nuclear é crucial para a competitividade industrial em setores que consomem muita eletricidade, como inteligência artificial e semicondutores.

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