Estratégia de defesa dos EUA dá guinada e pede mais autonomia a aliados como o Japão
Documento prioriza segurança doméstica e hemisfério ocidental, sinalizando apoio “mais limitado” no exterior
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou sua nova Estratégia Nacional de Defesa (NDS), um documento que orienta as políticas do Pentágono e que promove uma mudança significativa no posicionamento global do país. A estratégia eleva a defesa do território nacional e do hemisfério ocidental como prioridade máxima, ao mesmo tempo que pede explicitamente que aliados e parceiros assumam a “responsabilidade primária” por sua própria segurança, recebendo um apoio americano “crítico, porém mais limitado”.
O tom em relação à China é visivelmente mais conciliatório do que em documentos anteriores. A estratégia afirma que o objetivo dos EUA não é “dominar, estrangular ou humilhar” a China, mas buscar uma “estabilidade estratégica” por meio da força, e não do confronto. Diferentemente de versões passadas, o documento de aproximadamente 30 páginas não faz menção direta a Taiwan.
O texto é claro ao delegar maiores encargos aos aliados. Na Península Coreana, afirma que a Coreia do Sul é capaz de assumir a principal responsabilidade por deter a Coreia do Norte. Na Europa, diz que os aliados da OTAN estão “fortemente posicionados para assumir a responsabilidade primária pela defesa convencional da Europa”, classificando a Rússia como uma ameaça “persistente, mas administrável”.
O documento também reforça a ênfase da administração Trump na América Latina, declarando que o Pentágono “restaurará a dominância militar americana no Hemisfério Ocidental” e garantirá o acesso a terrenos-chave como o Canal do Panamá. A operação que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro é citada como um exemplo desta postura.
Esta reorientação estratégica ocorre em um momento de estreitamento dos laços de defesa entre EUA e Japão. Apenas algumas semanas antes da divulgação da NDS, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, recebeu seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, no Pentágono. Em discursos calorosos, ambos os líderes destacaram a solidez da aliança e concordaram em aumentar a realização de exercícios militares realistas, com foco especial nas ilhas do sudoeste do Japão, próximas a Taiwan.
O ministro Koizumi, que visitou os EUA em meio a tensões regionais com a China, expressou determinação em trabalhar com Washington para “proteger a paz e a estabilidade na região”. A reunião serviu para alinhar os esforços de dissuasão em um momento em que o Japão planeja um orçamento recorde para defesa.
Para o Japão e outros aliados asiáticos, a nova estratégia americana apresenta um cenário complexo: enquanto o compromisso bilateral parece se fortalecer na prática, com exercícios conjuntos e modernização de comando, o documento formal do Pentágono estabelece um princípio claro de que os parceiros devem se preparar para carregar um fardo maior de sua própria defesa, com um apoio americano futuro potencialmente mais seletivo.
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