Pentágono prioriza defesa interna e exige maior responsabilidade de aliados como o Japão

EUA redefinem estratégia global e pedem que aliados como o Japão assumam maior papel na própria defesa

Documento do Pentágono sinaliza apoio “mais limitado” a parceiros e tom mais moderado em relação à China, provocando apreensão na Ásia e Europa

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos divulgou sua nova Estratégia de Defesa Nacional (NDS), um documento que orienta as políticas do Pentágono e que representa uma mudança significativa na postura estratégica americana. A diretriz, publicada nesta sexta-feira, pede que aliados e parceiros ao redor do mundo assumam a “responsabilidade primária” por sua própria defesa, recebendo um “apoio crucial, porém mais limitado” das forças dos EUA. A mudança, alinhada com a doutrina “America First” do presidente Donald Trump, é vista com preocupação por aliados na Ásia, incluindo o Japão, que tradicionalmente dependem da garantia de segurança americana.

O documento de 34 páginas estabelece a defesa do território nacional e do hemisfério ocidental como a principal prioridade de Washington, seguida pela dissuasão da China na região do Indo-Pacífico. Em um contraste marcante com a estratégia anterior, de 2022, a nova NDS adota um tom consideravelmente mais moderado em relação a Pequim, defendendo “relações respeitosas” e um objetivo que não é “dominar, humilhar ou estrangular a China”. O texto busca uma “paz estável” e não menciona Taiwan, um ponto de tensão constante na região.

Para financiar essa maior autonomia defensiva, os EUA defenderão que seus aliados em todo o mundo, e não apenas na Europa, elevem seus gastos com defesa para o padrão de 5% do PIB, meta recentemente acordada pelos membros da OTAN. O Pentágono argumenta que, dado o tamanho de suas economias, os aliados estão em posição forte para liderar sua própria defesa convencional. Na península coreana, por exemplo, a estratégia afirma que a Coreia do Sul é “capaz de assumir a responsabilidade principal por dissuadir a Coreia do Norte”.

Na Europa, a Rússia é reclassificada de uma “ameaça aguda” para uma “ameaça persistente, porém administrável” para os membros orientais da OTAN. O documento afirma que os aliados europeus, cujo poder econômico coletivo supera em muito o da Rússia, devem “assumir a responsabilidade principal pela defesa convencional da Europa”, inclusive tomando a dianteira no apoio à Ucrânia.

O foco renovado no hemisfério ocidental é outro pilar da nova estratégia. O Pentágono declara sua intenção de “restabelecer o domínio militar dos Estados Unidos no continente americano”, garantindo o acesso a terrenos-chave como o Canal do Panamá e a Groenlândia. A abordagem é apresentada como uma atualização da Doutrina Monroe, que historicamente via as Américas como zona de influência exclusiva dos EUA.

A mudança estratégica ocorre em um momento de engajamento diplomático. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, recebeu recentemente seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, no Pentágono, onde elogiou o compromisso do Japão em aumentar seus gastos com defesa e enfatizou a importância da aliança. “Significa [trabalhar] com nossos amigos [que] estão investindo [e] ficando ao nosso lado. E é assim que trazemos a paz através da força”, disse Hegseth durante o encontro.

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