Alimentação consome fatia recorde do orçamento das famílias japonesas
Coeficiente de Engel atinge maior nível desde 1981, pressionado por alta de preços e iene fraco
A proporção dos gastos domésticos destinada a alimentos no Japão atingiu um patamar de 44 anos em 2025, refletindo os preços elevados dos gêneros alimentícios e o impacto da desvalorização da moeda local. De acordo com a mais recente Pesquisa de Receita e Despesa Familiar do Ministério dos Assuntos Internos, o índice, conhecido como coeficiente de Engel, subiu 0,3 ponto percentual em relação ao ano anterior, para 28,6% entre as famílias com dois ou mais membros.
Os gastos domésticos totais médios foram de ¥314.001 por mês, um aumento nominal de 4,6%. Já os gastos com alimentos cresceram 5,5% em termos nominais, superando a alta geral, mas caíram 1,2% quando ajustados pela inflação. Essa queda no volume real de compras sugere que os consumidores estão adotando um comportamento mais econômico, optando por produtos mais baratos e reduzindo quantidades.
O coeficiente de Engel normalmente diminui quando os níveis de renda sobem com o crescimento econômico, permitindo que as pessoas destinem mais recursos para educação, entretenimento e outros itens não alimentares. No Japão, o índice havia caído para 22,9% em 2005, mas começou a subir devido ao baixo crescimento da renda em uma economia persistentemente fraca. A ascensão se acelerou a partir de 2022, com a depreciação do iene elevando os preços das importações.
Na pesquisa de 2025, a proporção das contas de utilidades como água e energia no orçamento familiar também aumentou, enquanto a participação dos gastos com roupas, móveis e outros itens recuou. Os dados coincidem com um cenário de salários reais em queda pelo 11º mês consecutivo registrado em novembro passado.
Hideo Kumano, economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, avalia que, para aliviar a pressão sobre as famílias, o governo japonês precisa garantir um crescimento estável dos salários reais, corrigindo a fraqueza do iene e apoiando o crescimento das pequenas e médias empresas.
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