Pesquisa revela divisão entre candidatos sobre manter sobrenomes separados após o casamento.

Divisão entre candidatos reflete debate nacional sobre sobrenomes de casais

Pesquisa com candidatos às eleições de fevereiro mostra sociedade dividida entre mudar a lei ou flexibilizar o uso do nome de solteiro

Uma pesquisa com candidatos às eleições para a Câmara dos Representantes do Japão, marcadas para 8 de fevereiro, revelou uma divisão quase perfeita sobre um dos temas sociais mais sensíveis do país: a permissão para que casais mantenham sobrenomes separados após o casamento. Os dados, coletados pela Kyodo News, mostram que o tema, que debate tradição, identidade e igualdade de gênero, será um dos pontos de discórdia na curta campanha eleitoral que se inicia.

Quando questionados sobre as opções para o sistema de sobrenomes, 47,8% dos 941 candidatos entrevistados disseram que os casais deveriam ter a opção de manter sobrenomes diferentes. Outros 45,1% apoiam a manutenção de um único sobrenome legal para a família, mas com a permissão para que os cônjuges usem seus nomes de solteiro de forma mais ampla no dia a dia. Apenas 4,7% defenderam a manutenção intacta do sistema atual, que exige por lei que o casal compartilhe o mesmo sobrenome – regra que, na prática, leva cerca de 95% das mulheres a adotarem o sobrenome do marido.

O debate ganha contornos políticos específicos em um momento de instabilidade. A primeira-ministra Sanae Takaichi dissolveu a Câmara Baixa do Parlamento e convocou eleições antecipadas com o objetivo de transformar sua popularidade em uma maioria parlamentar mais sólida. Seu partido, o Partido Liberal Democrático (PLD), governa em coalizão com o Partido da Inovação do Japão, e juntos buscam alcançar pelo menos 233 dos 465 assentos em disputa.

A posição do governo, liderado pela conservadora Takaichi, é a de criar um projeto de lei que dê validade legal ao uso do nome de solteiro (ou “nome de nascimento”) em todos os aspectos da vida social, mas sem abandonar o princípio de um único sobrenome oficial por família. A proposta, que deve ser apresentada ao Parlamento por volta de março, visa reduzir os entraves burocráticos para, principalmente, as mulheres que desejam continuar usando seu nome original no trabalho. Críticos, no entanto, veem a medida como uma forma de esvaziar o movimento por uma reforma mais profunda e manter o status quo, fixando o modelo de “família tradicional”.

A divisão entre os partidos é evidente. Enquanto a nova Aliança Reformista Centrista, principal bloco de oposição, tem 62,2% de seus candidatos a favor da escolha de sobrenomes separados, a resistência é forte em partidos como o populista Sanseito (98,2% contra) e no próprio Partido da Inovação do Japão, parceiro da coalizão governista (83,8% contra). Partidos como o Social Democrático e o Comunista já incluíram em suas plataformas eleitorais o compromisso com a legalização tanto dos sobrenomes separados quanto do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Além do tema dos sobrenomes, a pesquisa sondou os candidatos sobre outras questões-chave. A maioria (82,6%) se mostrou a favor de reduzir ou abolir a taxa de consumo (imposto sobre valor agregado), refletindo a preocupação generalizada com a alta dos preços. Medidas contra a inflação foram citadas como prioridade máxima por 87,2% dos entrevistados, seguida por seguridade social (41,7%) e combate à baixa taxa de natalidade (40%). Sobre a aceitação de mais trabalhadores estrangeiros, houve um empate técnico: 35% se opõem e 32,6% são a favor.

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